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OPINIÃO

Comunicando desportivamente: Perante as diabrites, Ética até que ponto…?

OPINIÃO | HUMBERTO GOMES

Do muito que vamos observando (e sentindo), face às mais recentes diabrites operadas no nosso futebol índígena, em que muito mais contando o sucesso – mesmo que a qualquer preço…-, em detrimento de ter valor, ocorreu-nos produzir um modesto “ensaio” sobre esta temática.


Numa sessão de trabalho não muito distante, com mestre – porque sábio! – Manuel Sérgio, tivemos oportunidade de escalpelizar, com base em referências, fruto da nossa memória, as incidências do comportamento social e humano de alguns “agentes do desporto“, trazendo ao palco dos acontecimentos Max Weber, aquele que foi um muito apreciado intelectual, jurista e economista alemão, por muitos considerado um dos fundadores da Sociologia.


Porque de um fenómeno social se trata, advindo do comportamento humano, haverá que ter em consideração alguns tipos ideais de comportamento:

o comportamento que utiliza meios racionais, para cançar fins racionais;

o comportamento que, ao utilizar meios racionais, visa atingir fins irracionais, ou seja,


o comportamento orientado por valores;

o comportamento que é guiado pela emoção;

o comportamento que se rege pelos costumes e hábitos.


No vasto campo da sua exaustiva investigação, legou-nos Max Weber que é a verdade factual que deve orientar a atividade analítica do cientista, independentemente dos motivos pessoais que poderão levar a escolher o problema e os temas que se investiga, ancorado na constatação de que um juízo de valor não pode ser verdadeiro, porque não pode ser aceite por todas as pessoas.

Se a isto acrescentarmos a referência à memória, que não regista tudo o que acontece, perceberemos que nos tempos de hoje, sujeitos a desempenhos diferentes a memória sofre alterações. Ainda a considerar que deixou de ser critério de fundo a veracidade dos factos, bem como a melhoria pelo conhecimento, mas antes a sobrevivência que, de forma mais ou menos consciente, resultará de vir a ser útil a cada um dos intervenientes integrados no “sistema”.


Pode, em remate final – quem sabe se com o pé mais à mão…-, a Ética transformar-se num método racional de resolução de eventuais conflitos? Questões que, no plano prático das “coisas”… se podem aplicar às políticas desportivas que (não) temos? E será que haverá vontade das pessoas responsáveis? Ou não será mais fácil, a dar menos trabalho, continuar com os mesmos métodos e, portanto, onde praticamente os valores não cabem?


É que um “agente do desporto” com valores morais torna-se incómodo, para dirigentes ditos desportivos, que toda a vida viveram sem eles e que são, afinal, verdadeiros semeadores de demagogia. E nem por isso deixam de falar, com ênfase professoral, a uma legião de basbaques que os escutam como se lhes devessem vassalagem. Como se, no Desporto, factos e valores, não despontassem do mesmo paradigma científico.


E, já em jeito de despedida, ainda o mestre, no final desta (muito) proveitosa sessão de trabalho, nos advertiu para memorizar: “É que o Desporto nasceu como Ética e, sem Ética, não se entende a sua prática.

Uma vez mais, não é pensando (com mais ou menos arrogância) que somos, é sendo que pensamos!

Humberto Gomes

*“Embaixador para a Ética no Desporto”

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