Comunicando desportivamente: vai Nuno Ricardo contar aos netos!

Vai, vai…justificadamente…, Nuno Ricardo contar aos netos!

Pandemia a quanto obrigas… tem originado tantas e tão inusitadas situações que nos dão conta de quanto, em momentos de quase limite, surgem gestos tão nobres e tão solidários a merecerem o devido registo e um aceno de simpatia e de credibilidade pelo exemplar comportamento ético que manifestam.


Foi o caso de Nuno Ricardo, treinador de guarda-redes, inscrito como praticante na passada semana pelo Esperança da Lagos, por precaução, face às lesões de Luís Pedrosa (fraturou uma costela) e Rúben Borges (a contas com operação a uma mão), para fazer parte dos convocados para jogo que oporia a sua equipa ao Louletano. Enquanto treinador de guarda-redes, em virtude da impossibilidade dos dois guarda-redes, Nuno Ricardo acabou por alinhar e voltar à competição no passado sábado, uma vez que Rafael Candeias, que seria o titular na baliza da turma de Lagos, acusou positivo à Covid-19 num teste rápido realizado antes do jogo.


Que estado de alma poderia revelar o ‘improvisado’ guarda-redes? A resposta expontânea e afirmativa: “Deixei de jogar há cinco anos (último jogo diante do Sampredense, em Fevereiro de 2017) e não estou nas melhores condições, mas havia que ajudar o grupo e não fugi a esse dever”. E que sensação experimentada: “A sensação foi boa e revivi a adrenalina do jogo, do momento de colocar as luvas… Infelizmente, o resultado não foi o que desejávamos e espero que tenha sido uma situação pontual” acrescentou Nuno Ricardo.


Que, com um pouco mais de profundidade de análise e de não menor sensação, sempre abriu o coração: “Vivi uma história para contar aos neto”, confidenciou o ‘potencial avô’.


Tal como, noutra situação vivida em 2016, quando em representação do Lusitano de Vildemoínhos, logrou marcar um golo na baliza adversária – na circunstância o Lusitânia de Lourosa-. Um golo, que deu brado durante uns tempos, marcado de baliza a baliza, com tanto de invulgar como de histórico, confessando-se Nuno Ricardo, na ocasião: “Uma alegria imensa”, descrevendo que: “O meu maior espanto foi ver a bola bater na relva e passar por cima do guarda-redes e depois ri-me porque é algo pouco habitual de acontecer”, acrescentando que: “Nunca tinha marcado um golo, nem de penalti”, que, acrescentaremos nós, bem mais fácil seria.


Nessa altura – com 36 anos -, Nuno Ricardo, afirmava-se com a garantia de que se sentia bem e “em plenas capacidades de continuar”, abrindo a possibilidade de que: “gostava de de jogar mais dois anos” e de: “ver com bons olhos continuar ligado ao futebol, sobretudo, ao treino de guarda-redes”, que viria, afinal, a acontecer.


Ainda que não lhe passasse pela cabeça, aos 42 anos, ter de voltar a calçar as luvas…


Duas interessantes histórias, cada uma com as suas interessantes particularidades, as quais, pela boca do ‘potencial avô’, darão certamente ‘para contar aos netos’!

Humberto Gomes
*“Embaixador para a Ética no Desporto”

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