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Conchita Sabino, uma vida dedicada a ajudar os outros

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Nasceu em Vila Real de Santo António e fundou duas instituições sociais em Olhão, cidade onde reside há 60 anos. Chegou a abdicar de remunerações da sua atividade profissional a favor dos mais necessitados e já vendeu produtos de beleza por catálogo para auxiliar famílias carenciadas

DOMINGOS VIEGAS

Maria da Conceição Sabino, mais conhecida por Conchita Sabino, foi uma das fundadoras da delegação de Olhão da Cruz Vermelha Portuguesa e também do Grupo de Bem Fazer “Celeiro de Amor”, uma instituição social sediada na mesma cidade e que serve diariamente cerca de 90 refeições aos mais carenciados. Aos 84 anos continua com a sua vocação altruísta: “Sempre gostei de ajudar os outros”, diz.

Mas aquelas iniciativas que lançou são apenas alguns exemplos da ajuda ao próximo que tem marcado a vida de Conchita Sabino. Já foi homenageada várias vezes, por diversas entidades, devido a este trabalho. O último destes reconhecimentos aconteceu recentemente, pelo Rotary Clube de Olhão, que lhe atribuiu o título de “Profissional do Ano”, pelo “dinamismo, determinação, altruísmo e dedicação a uma causa social, desenvolvida ao longo do seu percurso profissional, com benefício e obra feita ao serviço da comunidade olhanense, particularmente do Grupo de Bem Fazer ‘Celeiro de Amor’”.

Foi há cerca de 40 anos que esta vila-realense, que reside em Olhão há seis décadas, fundou o Celeiro de Amor, com outras cinco pessoas, entre as quais Maria Aliete Nery Abrantes, a grande mentora do projeto. No início, a ajuda aos mais carenciados era feita porta a porta, com alimentos e roupas.

“A separação dos alimentos, em sacos, era feita na casa da dona Aliete Abrantes e, mais tarde, passou a ser feita na minha garagem. No contacto direto com as famílias, apercebemo-nos de que, principalmente, as crianças continuavam a passar fome. Então, alugámos um compartimento onde improvisámos um refeitório para fornecer refeições confecionadas”, conta Conchita Sabino, recordando os primeiros anos da instituição.

Funcionária pública e altruísta

Começou a sua vida profissional como funcionária da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, onde desempenhou diversos cargos no início da década de 1950.

Paralelamente à sua atividade profissional já ajudava os mais carenciados e foi fundadora da Ação Católica da Juventude na cidade pombalina. Posteriormente ingressou na carreira de chefia, no quadro geral administrativo do Ministério do Interior, tendo exercido funções no Governo Civil de Faro e na Câmara Municipal de Olhão, onde se aposentou com a categoria de assessor autárquico.

“Sempre gostei muito de ajudar as pessoas. Há quem tenha tudo aquilo de que precisa e, infelizmente, também há quem não tenha nada. Quando me reformei, passei a dedicar-me a tempo inteiro a ajudar os mais necessitados”, diz Conchita Sabino.

Depois de se ter aposentado, recebeu uma proposta para continuar a prestar serviço na autarquia, aceitou, mas com uma condição… “É verdade, só aceitei com a condição de a respetiva remuneração ser entregue ao Celeiro de Amor, como subsídio”, conta Conchita Sabino.

Antes daquele grupo de ajuda social ter recebido o estatuto de IPSS (instituição particular de solidariedade social), que lhe permitiu aceder a apoio estatal, Conchita Sabino ainda realizou outras iniciativas para conseguir angariar algum dinheiro. “Cheguei a vender produtos de beleza por catálogo para apoiar financeiramente o Celeiro de Amor e as famílias mais carenciadas. Depois, surgiram alguns apoios institucionais, tivemos acordos com a Câmara Municipal de Olhão e atualmente temos com a Segurança Social”, explica.

Com os acordos estabelecidos, bem como com a ajuda dos chamados “Amigos de Sempre”, os sócios que se foram juntando à instituição, o Celeiro de Amor alugou uma casa com melhores condições, na rua João José Mendonça Cortez, onde passaram a ser fornecidas as refeições e distribuídas roupas, mantas, berços, enxovais para bebés e brinquedos.

Mais tarde, com a ajuda de um subsídio da Segurança Social, foi adquirido o espaço onde funciona atualmente a sede e o refeitório, na rua Serpa Pinto. Foi a partir desta altura que a Santa Casa da Misericórdia de Olhão passou a colaborar com o Celeiro de Amor.

“Já fui a algumas casas, aparentemente normais, mas onde não há nada para comer”

Conchita Sabino conta que a pobreza que se verifica hoje em dia “é muito diferente daquela que existia antes”, já que resulta, principalmente, de situações de desemprego que surgiram recentemente.

“Há muitos idosos que, de repente, viram como os filhos lhes caíram em casa porque ficaram desempregados. Também já fui a algumas casas, aparentemente normais, mas onde o frigorífico está vazio e não há nada para comer. Há muita pobreza camuflada. E esta situação piorou muito nos últimos anos, principalmente devido ao facto de as pessoas terem ficado desempregadas”, constata Conchita Sabino.

Ao mesmo tempo, Conchita Sabino, que desempenha atualmente o cargo de presidente da Assembleia Geral do Celeiro de Amor, deixa um apelo: “Pelas suas características, esta instituição merece o carinho e a ajuda de todos, para continuar a sua meritória obra de dar de comer a quem tem fome”.

O Celeiro de Amor tem atualmente cinco pessoas a trabalhar a tempo inteiro, de forma a poder responder às necessidades dos mais carenciados. Conchita Sabino é ainda vice-presidente da delegação de Olhão da Cruz Vermelha Portuguesa, cargo que ocupa há 27 anos numa instituição com 70 funcionários e que também desenvolve apoio social naquele concelho.

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