OPINIÃO

Crónica de Faro: As casas com cercado

joão leal
OPINIÃO | JOÃO LEAL

São duas as edificações como tal referidas com assinalado interesse para a capital algarvia e testemunhos eloquentes do seu património edificado.


A primeira, situada no gaveto das Ruas Aboim Ascensão e Ascensão Guimarães, paredes meias com a Casa Cor de Rosa (Refúgio), a que está tão profunda e historicamente ligada, conhecida como «Casa de Fresco/Mirante» da antiga Quinta do Cercado é uma edificação com planta pentagonal e telhados de quatro águas, erigida nos finais do século XIX. Encontrava-se, de há muito, em notório estado de degradação, temendo-se, como escrevemos, pela sua continuidade. Em boa hora o benemérito Coronel de Cavalaria Dr. Luís Villas Boas, alma maior da Emergência Infantil diligenciou pelo seu restauro, apresentando-se agora com um renovado e belo aspecto. No respeito pleno pela traça original, com excelentes efeitos luminosos, apresta-se, para quando a pandemia do covid 19 for ultrapassada, para ser um ponto de encontro e convívio da infância e local de acolhimento para eventos e celebrações com ela relacionados.


A segunda, em vias de classificação como imóvel de interesse municipal, é o n.º 30 da Rua Manuel Ascensão e constituindo um património privado dos herdeiros dessa mediática figura de farense e algarvio, que foi o sempre lembrado Dr. Mário Lyster Franco (advogado, escritor, jornalista, autarca, regionalista… eu sei lá que mais!) é uma referência para o concelho e para a Terra do Sul. Foi nos anos noventa do século vinte que surgiu a ideia oficializada pelo presidente da Câmara Municipal de Faro, o professor João Negrão Belo, a cujo espírito criativo e concretizador fazemos jus, de transformar o imóvel em Casa Museu. A Casa do Cercado, surgida na transição dos séculos passados e fazendo parte de uma quinta urbana então nos arrabaldes da cidade, é uma habitação unifamiliar com valor de memória cultural e histórica. Dispõe de um painel de azulejos representando Santo António de Lisboa, de que o lembrado Director do «Correio do Sul» era grande devoto, referindo-se a tal propósito a criação do Museu Antonino na Igreja de Santo António do Alto.


Volvidas três décadas tudo permanece em intenção anunciada e a Casa Museu Dr. Mário Lyster Franco, um dos farenses que mais amou e serviu a Terra Mãe, continua como um propósito adiado.

João Leal

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