OPINIÃO

CRÓNICA DE FARO: “Chico Palaré”, uma saudosa memória

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Por todo o mundo era assim conhecido, sem que tal envolvesse menos merecida consideração e estimado apreço, antes pelo contrário uma efectiva estima, aquele que recentemente nos deixou e que foi um destacado farense destes nossos tempos. Deixou-nos recentemente, após pertinaz doença e uma vida plena de serviços à comunidade de modo próprio nas áreas de educação, do companheirismo e da solidariedade.
Vemo-lo menino e moço, desde sempre escreva-se, a crescer ali pelo Largo de São Pedro, por vir do estabelecimento do seu honrado pai, que ali se situava, parede meias com a dita sala de espera da Camionagem António Evaristo dos Santos, que fazia as ligações rodoviárias entre a capital sulina, Estoi, São Brás e Alportel. O “Chico Palaré” diversificava os seus tempos livres entre o aluguer das “pasteleiras” no Sr. Boticas e um jogo de futebol no “Alto da Caganita” (Praça Silva Porto) ou no Espaldão, onde era fiel e carismática presença o seu muito amigo “Grilo” (que nos perdoe a sua alma boa que nunca o nome próprio ou de família lhe soubemos), o tal que só sabia jogar descalço. Nasceu a 9 de Fevereiro de 1937 e faleceu recentemente o Dr. Francisco Pinto Rodrigues Palaré, dileto filho de um casal sambrazense, sola desta conhecida família, a mãe D. Teresa Pinto Nunes, dos Vilarinhos e o pai Francisco Rodrigues Palaré, dos Machados, razão mais que notória para o significativo voto de pesar que o Município de São Brás de Alportel emitiu a propósito da sua morte. Após estudos no Liceu João de Deus, onde foi também professor, seguiu para a Universidade de Lisboa onde alcançou a licenciatura em Ciências Geológicas e dedicou-se ao ensino, que seria uma das grandes paixões da sua vida, pois entendia que “Educar é ser… É uma forma de amar”. Fê-lo em Lisboa, Faro e em Angola (Silva Porto, entre 1969 e 1975), como o seria no desempenho de elevadas funções, entre as quais as de Diretor Regional de Educação do Algarve 1990/1996), sempre, como ela sabia estar na vida e em todo e qualquer lugar, com elevação e empenho. Plenamente a propósito o testemunho proferido pelo seu devotado amigo e companheiro Henrique Luís de Brito Figueira, a quando do funeral:
– “Enfim, com a condescendência dos que com ele mais privaram ao longo da vida, quero dizer-vos que NUNCA conhecia ninguém tão DETERMINADO a consumar as IDEIAS com que todos os dias acordava”.
Do seu vasto e valioso currículo recordamos a sua presença na Assembleia Municipal de Faro, na presidência do Rotary Clube e da Cimfaro e da fundação da Delegação Algarvia da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson, sendo os seus últimos anos de atividade dedicados à busca de apoio e prestação de cuidados aos doentes portadores de doença neurológica degenerativa. Com toda a justiça o Município da capital sulina conferiu-lhe, em 2001, a “Medalha de Mérito” (grau Ouro). A lembrança de uma vida do “Chico Palaré”, que é um testemunho de saudosa lembrança para todos!

João Leal

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