OPINIÃO

CRÓNICA DE FARO: «Dois Irmãos», a caminho do centenário

OPINIÃO | JOÃO LEAL
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É uma das mais assinaladas referências, há quase cem anos, no que ao «comes e bebes», no passado e à restauração, desde há décadas, comporta, o conhecido «Dois Irmãos», situado no Largo Terreiro do Bispo e fundado em 1925. Sempre o conhecemos, não com a modernizada e atraente configuração com que hoje se apresenta, mas com aquele típico aspeto que acolheu sucessivas e sucessivas de fiéis clientes.


Os «Dois Bois», como por tantos e durante, tantos e tantos anos foi conhecido, é um signo da própria cidade de Faro que ali teve uma das matrizes das mais afamadas «casas de pasto» e, no presente, um restaurante pronto a responder às exigências dos «gourmets» e dos muitos nacionais e estrangeiros que ali ocorrem em busca do que é verdadeiramente nosso, com destaque para a frescura do pescado e dos mariscos, sem menosprezar as delícias obrigatórias da gastronomia internacional.


A citação desta adega de outrora devolve-nos à memória todo um saudoso filme, quer no cenário como nas personagens e envolventes, desde as enormes pipas, com o tinto e o branco a escorrer capitoso (que o meu amigo e grande comerciante sr. Eduardo Arbués (Tabú) adjetivava de «uma rica pomada») , o amplo balcão com a cozinha á vista e as enormes frigideiras, os reservados, o quintal, o «paposseco com choco frito» que com cinco tostões (1/4 de cêntimo do euro) íamos lanchar ao cair da tarde, os proprietários – irmãos Belchior, o gerente – senhor Silva, o cozinheiro sr. Vitorino e os deliciosos odores que toda a sala exalava, com um vasto menú, donde nos lembra os carapaus alimados, as iscas, os berbigões abertos no fogareiro e comidos à mão…


Em 1965, no ano em que foi inaugurado o Aeroporto de Faro, este espaço de convívio, lazer, comer e beber, foi destacado em duas páginas do livro «Algarve, a portrait of guide», da autoria de David Wright (poeta sul – africano) e Patrick Swift (pintor irlandês), surgiu em destaque bem merecido do seu protagonismo e história.


Há anos os «Dois Irmãos» foram adquiridos pela conhecida Família Brazuna (o pai sr. José Maria, a mãe D. Isilda e o filho sr. Henrique, que contrataram o chefe cozinheiro sr. António Dias) que, sem lhe retirar a matriz de qualidade lhe deu um ar novo compatível com os nossos tempos e as exigências dos clientes. Corolário dessa ação empresarial e do seu historial a Câmara Municipal de Faro outorgou em 7 de Setembro de 2007 a «Medalha de Mérito Municipal – Grau Ouro». «Dois Irmãos» a caminho do centenário (2025) uma ligação entre Faro do início do século XX e o futuro!

João Leal

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