Faro
OPINIÃO

Crónica de Faro: Ferradeira de Brito, na morte do poeta

OPINIÃO | JOÃO LEAL

«…Ecos que sempre vão ficar
e que, mais ninguém, jamais pode calar
com eles vos deixo o coração».
Montenegro, 15 de Maio de 2021


Poucos dias antes de nos deixar (1de Junho último) Abílio Ferreira de Brito, o excelso vate da beira – Faro (Montenegro, Patacão, Mar e Guerra…) escrevia o soneto cujo terceto final aqui recordamos. Era como que um presságio, um daqueles muitos sonhos com na vida vivia e um adeus a «todo o mundo», porque «todo o mundo» cabia e morava no seu generoso coração.

Verdadeiro autodidacta, «lendo e aprendendo por si mesmo», como o definiu o erudito historiador famalicense, por nascimento e algarvio, pelos relevantes serviços prestados à Região, professor Doutor Vilhena Mesquita (Universidade do Algarve), nasceu às portas da capital sulina, nas Pontes de Marchil, em plena II Guerra Mundial (24 de Fevereiro de 1942), vindo a falecer onde, há muitos anos residia, o Montenegro, com 79 anos de idade.


Sempre viveu, uma vida recheada de sonhos, projectos e realizações, com «a razão reflectida para descobrir onde estava a verdade, a justiça e a lealdade», conforme escreveu aquele amigo Mestre, que também o assinalou como «poesia e sentimento na voz do povo», porque do povo e com o povo sempre esteve. Daí a plena significância da publicação de, em 2001, A sua estreia literária aconteceu em «menino e moço», no ano de 1953, no jornal infantil «O Pintassilgo», das Escolas Anexas (Sé), que frequentava.


A par da vivência poética, onde na «Tertúlia Hélice» brilhou e teve como Mestre e Amigo o consagrado poeta Eng. Tito Olívio Henriques, o serviço da «Rés Pública» como presidente da Junta de Freguesia de São Pedro e o Teatro concitaram o seu «ego». Foi fundador e director dos Grupo Cénico do Montenegro, do Teatro Experimental do Patacão e do Grupo de Teatro do Mar e Guerra, havendo escrito várias peças entre as quais, à maneira vicentina, «Auto dos Sonhos».


Morreu o poeta e cidadão Abílio Ferradeira de Brito, mas o seu testemunho e o seu exemplo, habitam entre nós.

João Leal

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