CRÓNICA DE FARO: “José Barão, ao fundar o Jornal do Algarve, curou a nudez dos algarvios… e abriu as portas ao progresso”

Assim o escreveu, com plena visão de análise e um testemunho de comprovada vivência editorial, o considerado jornalista Nuno Couto, dedicado companheiro desta equipa do «Times», em texto de há quatro anos. Ao relê-lo tivemos o grato ensejo de o apreciar como lápide maior para a lembrança que no quotidiano nos ocorre do Mestre, do Amigo e Regionalista e que neste sulino mês de Agosto criar uma dimensão de saudade e de homenagem ainda maiores. Com efeito foi a 17 de Agosto de 1904 que nasceu na sua adorada mãe, que como dizia o poeta João de Deus – «a terra onde se nasce é Mãe também», Vila Real de Santo António (uma das partes deste «Algarve todo» como ele a visionava) o fundador em Março de 1967 de «Jornal do Algarve». Com efeito ele foi para nós uma referência de cidadania, de democracia, de fraterna solidariedade, do jornalista vertical e de amor pleno à Região Natal. Voltemos ao admirável texto escrito por um dos pilares presentes deste semanário para saborear e, em plena comunhão o partilharmos: José Barão morreu cedo (19 de Abril de 1966 – Casa de Saúde das Amoreiras, Lisboa). Não chegou a saborear o que ajudou a construir». Lança depois essa oportuna e interrogativa questão: «O que seria do Algarve sem José Barão – sem dúvida um dos maiores algarvios do século XX – se não tivesse deixado este legado?». Sabemo-lo, de modo próprio pela vivência de cada dia nesta terra que tanto amamos, das suas carências e realidades, de como cresceu e como quanto deficitária de quase tudo ou mais alguma coisa. «Não deixem morrer o Times», não pediu, exigiu-o com a humildade, diria franciscana com que sempre se houve na vida, neste instante último. Sabia-o de quanto importava que «Jornal do Algarve» prosseguisse a sua missão e fosse a voz plena dos algarvios a gritar faltas e ensejos. Um conjunto de dedicações prosseguiram, com honestidade, mérito e verdade a orientação e devoção do Fundador. Do baú das memórias ocorre-nos a amizade e as figuras de António Barão, seu devotado filho, a quem nesta hora saudamos com particular afeto; dos lembrados Torquato da Luz e José Manuel Pereira, do José Cruz e do José Lança ou do atual Diretor, sem mentor e prosseguidor, que é o Fernando Reis. Nesta hora de evocação, lembrança, gratidão e compromisso renovado, recordamos também essa exemplar figura de mulher vilarrealense, de esposa de uma vida e de mãe devotada, que foi D. Ana Baptista Barão. José Barão sempre presente e a prosseguir com o seu exemplo de vida o apontar de um só caminho: «Não deixem morrer o Times!».

João Leal

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