OPINIÃO

Crónica de Faro: Lembram-se do prof. Rodrigues («Trinta e um Cabelinhos»)?

Faro
OPINIÃO | JOÃO LEAL

Ainda não andava no ensino secundário (Escolas Serpa Pinto e Tomás Cabreira) e já o conhecia, residente que era num amplo rés-do-chão, que se mantem talqualmente, ali no Largo das Mouras Velhas. Por ali brincávamos e fazíamos as tropelias próprias de «moço pequeno», vizinhos que o éramos quando residimos com minha avó Francisca, na Rua Baptista Lopes. Por ali se instalavam, roubando-nos o espaço para jogar à bola, o Teatro Desmontável da sempre lembrada Companhia Rafael Frias (Fernando Frias, Fernando Oliveira, Geny Frias, Lisete Frias e tantos outros) ou os circos (Lufthman, Cardinali, Royal…).

O «senhor professor José António Rodrigues (Mestre de Caligrafia e Dactilografia da segunda daquelas escolas) era uma figura muito estimada e conhecida a quem os «costeletas» de então haviam colocado a alcunha de «31 cabelinhos» pela rara escassez dos pelos capilares. A sua lembrança foi agora redimensionada no meu universo de 83 anos de memória na sequência do gesto sempre amigo do meu companheiro José Patrício da Silva, dedicado membro do Rotary Clube de Alcobaça.

Quis ter a atenção, tal como periodicamente acontece, em conjunto com o meu compadre e ex-presidente do Rotary de Faro, Henrique Brito Figueira, nos enviar volumoso envelope com jornais de Norte a Sul do País. No recente espólio vinha uma fotocópia do semanário «Alcoa», o n.º 1319, publicado em 16 de Novembro de 1973, há quase meio século, com a notícia do falecimento da professora D. Anália dos Reis Palma, «vítima de doença que não perdoa, na Clínica de Carnaxide»). «A ilustre finada, natural de Faro, residia há 18 anos em Alcobaça, onde era competente professora na Escola Técnica… onde era o mais antigo membro do Corpo Docente».

Esta extinta senhora («Com a sua palavra fácil, com o seu extremo carinho, com a sua singular compreensão, conseguia cativar e granjear a amizade de todos os seus alunos») era «exemplar esposa» do sr. prof. José António Rodrigues e mãe de D. Maria Teresa Palma Rodrigues, ao tempo chefe de secretaria da Escola Preparatória de Oeiras e desse, que é um dos mais expressivos poetas farenses do nosso tempo, José António Palma Rodrigues, com inúmeros prémios conquistados em Jogos Florais.


Lembranças de um tempo ido que o recorte do alcobacense «Alcoa», de Novembro de 1973, nos veio recordar…

João Leal

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