Faro
OPINIÃO

Crónica de Faro: Na morte de um poeta estoiense

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Filho da pitoresca e histórica freguesia de Estoi o Orlando viveu, par além de outros, entre dois amores: a poesia e o futebol, aos quais dedicou todo o seu empenho, saber e querer. A nossa amizade tinha mais de setenta anos e principiou ali na Rua do Município, no velhinho edifício da Escola Tomás Cabreira, que ambos frequentámos nos anos 50 do ido século XX. Pela vida em fora se manteve esse nosso relacionamento até porque semelhantes paixões, o futebol e a arte de versejar, ambos professámos, para além da simpatia leonina em termos clubistas.


Em todas elas o Orlando João, escreve-o sem invejas, mas pleno reconhecimento da verdade, foi-me sempre superior, não obstante a sua exagerada humildade e aquele como que «receio» de estar na vida.


Orlando João da Cruz Bica, natural de Estoi , onde nasceu a 9 de Julho de 1935, filho de António Rosa Bica e D. Vicência da Cruz Bica, ambos falecidos, aposentado da função autárquica (Federação dos Municípios do Distrito de Faro), era um moço admirável e generoso.

Com alguns pequenos resquícios verbais foi sempre dialogante e participativo. Recordamo-lo «costeleta», aluno do Curso Geral de Comércio, que depois terminaria em Lisboa. Tinha outros conhecidos familiares, que como ele andaram na Tomás Cabreira: seu irmão, o professor e emérito acordeonista António da Cruz Bica e seus primos direitos, como por aqui é hábito referir, o Valério Quintas Rodrigues (inspector de finanças e afamado homem do acordeão) e o «caçula» Virgílio Quintas Rodrigues.

Como poeta, de grande criatividade que o foi escreveu os livros: «Germina para a vida» (1970), «A outra Primavera» (1971), «Canto de Quinas» (1973) e «Essência» (1975). Como estratega do futebol, ele que foi um valoroso intérprete do «desporto rei» deixou-nos obra escrita sobre «Estratégias e Tácticas» e «As Leis do Futebol».


Faleceu agora, a 6 de Julho de 2021, a escassos três dias de completar os 86 anos. Uma saudade e um lutuoso sentimento de querida lembrança para um companheiro e amigo de uma vida e de um tempo.

«Adeus, Orlando» e até um destes dias…

João Leal

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