CRÓNICA DE FARO: Um adeus a um amigo querido

Não descortinamos, no horizonte temporal de há quantas décadas, talvez quase sete, mantínhamos uma fraterna amizade com aquele que foi um dos maiores amigos da nossa vida, uma amizade recíproca, viva e que nos honrava a ambos. O “Queixinho”, como de norte a sul do País era conhecido, o Bernardino Custódio Martins, que aos 10 anos deixou a sua Vila Real de Santo António natal, que tanto estremecia e veio para a Casa dos Rapazes, um dos seus grandes motivos de orgulho por haver pertencido a essa plêiade de homens de elevada craveira, que tantos e tão relevantes serviços têm prestado à região-mãe e se tornou uma figura mediática da capital sulina, dando-lhe todo o seu dinamismo, força moral e mental de apego. Deixou-nos ao fim de uma dolorosa “Via Sacra” que se prolongou por nove sofridos meses em que doença das que não perdoam o atacou, num ainda que esperado desfecho, nos causou e a milhares de tantos outros amigos, o fel este amarguíssimo sabor a impotência ante uma situação agravante contra o qual nada podíamos fazer. Desportista nato, desde o basquetebol ao futebol (uma das suas grandes paixões, desde praticante a fiscal de linha, dirigente e a comentador, levando sobretudo os relatos do Farense na I Liga e dos regionais, que no desaparecido Rádio Clube do Sul, como no dinâmico “Rádio Fóia”, ele esteve sempre presente. Fê-lo durante anos com essa outra alma grande da comunicação desportiva algarvia, que foi o sempre lembrado com infinita saudade, José Mealha. As suas viagens davam histórias e mais histórias, nos muitos milhares percorridos de Sul a Norte, sempre com a missão de nos darem resultados e comentários.
Bernandino Martins, o tão “nosso Queixinho” era uma figura mediática transportando com ele toda a alegria, o gosto pela vida e aquela saudação do “very nice”, um hábito constante de quem tinha no seu expressar toda a verdade (“nunca me deixei corromper, João” – disse-me uma vez) de quem vivia de bem com todo o mundo. Foi-o assim nas diversas profissões com que a pulso trepou na vida; foi-o assim sua extremosa mulher, a nossa amiga, D. Antonieta Martins, num viver de mais de 601 anos; como o foi com os seus filhos, num testemunho de perfeita educação paternal e que são valores da sociedade algarvia, a Dra Angela Martins, e o empresário Carlos Manuel (Camané) Martins e foi com todos os amigos a quem deixou a mensagem final gravada poucas horas do “último suspiro” – “levo-os a todos no coração e deixo-vos um abraço do tamanho do universo”.
No seu funeral, que se efectuou da Igreja de Pé da Cruz para o Cemitério da Esperança, lá estava todo esse “universo”, desde o Presidente do Município Dr. Rogério Bacalhau ao vereador Adriano Guerra até ao “Times”, este jornal com sede na sua terra natal, representado pelos diretores Dr. Fernando Reis e D. Luísa Travassos e ao público anónimo, essa gente que ele “a todos vos levo no coração” e que ficas para sempre nos nossos corações!

João Leal

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