OPINIÃO

CRÓNICA DE FARO: “Uma mulher singular”

OPINIÃO | JOÃO LEAL

Aos oitenta anos parece com o fulgor, entusiasmo e anseio expresso de vida a jovem Ana Rita que conhecemos, quando “menina e moça” se destacava pelo seu empenhamento nestas coisas das intelectualidade, facetas que desde sempre foram seus carismas. Hoje esta ilustríssima farense é a mais conceituada personalidade, a nível mundial, sobre estudos pessoanos “um amor de toda uma vida prosseguida em torno da obra e da figura de Fernando Pessoa”, tema que foi o seu doutoramento na Universidade da Sorbonne, na capital francesa, uma das cidades do seu “nascimento”, como referiu na oportuna homenagem que, por iniciativa do Município de Faro, lhe foi prestada no Auditório da Biblioteca António Ramos Rosa, “um mestre e um companheiro dileto”, desde a juventude nos convívios ocorridos nas livrarias Silva e Capela, onde às esconsas se liam “os livros encartuchados”. Para além de Faro, terra do seu nascimento e vivência até à ida para o ensino superior (Antes de mais sou daqui…) e de Paris, onde o seu estro brilhou e de Lisboa, de onde perseguida pela polícia política teve que, apressadamente, fugir. Foi o início do “pensar abril/ viver abril/ Faro”, esse conjunto de duas dezenas de iniciativas com que a autarquia quis celebrar o 25 de Abril de 1974 e teve no trovador, baladeiro, músico, poeta (eu sei que mais) Afonso Dias (muito tem feito este homem pela cultura algarvia) o seu feitor maior. “Medalha de Ouro de Mérito Municipal de Faro” que lhe foi atribuída em 1991, Teresa Rita Lopes, honra-nos a todos os algarvios pelo seu valor, pelo seu mérito, pelo sei sentido de liberdade e de democracia, pelo que esta homenagem foi um início admirável do falar da “Revolução dos Cravos” e que trouxe até nós figuras que são símbolos pátrios (Otelo Saraiva de Carvalho, Martins Guerreiro, Rosado Luz, Carlos Brito, Isabel do Carmo…).
A mais ilustre farense do nosso tempo, que nunca esquece a “sua” rua de São Luís, com “as casas de rés-do-chão e as varandas…”, as vivências de vizinhos, o Liceu João de Deus, onde aos 13 anos era diretora de um jornal, os convívios com os poetas Cândido Guerra, Emiliano da Costa, Rosa Ramos… e a cidade de então.
É percorremos, com honrosa companhia desta mulher, que é escutada em todo o Mundo, sobretudo o Sotavento, com destaque para duas terras a que está profunda e sentimentalmente ligada – Cacela e Alcoutim.
Teresa Rita Lopes, “uma mulher singular” que honra cada um e todos nós!

João Leal

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