Da importância política da saúde

Não por acaso e ao contrário do que quase todos os nossos “opinion-makers” (uma nova espécie de CEO’s do saber sócio-político, paridos irmãos gémeos do neo-liberalismo… e que jeito fazem!!!) vêm propagandeando todas as noites nas nossas televisões, a nova lei da saúde e a discussão pública que gerou teve e vai continuar a ter em meu modesto entender uma importância primordial e funcionou como uma necessária lufada de ar fresco no sentido de clarificar as águas chilras deste fim de legislatura obrigando, para além de outras virtudes, a que muitos, particularmente do nosso centrão já borolento, fossem obrigados a mostrar de que lado se posicionam; por outras palavras… saírem, sabe Deus com que esforço, do seu bem cimentado “nim”com que tão felizes têm convivido, pelo menos nos tempos pós – Cavaco Silva. Porém, as “estórias” têm destas coisas .

Acontece que o SNS foi talvez a maior expressão, concretizada por um conjunto de determinantes políticas e sociais únicas, de característica verdadeiramente revolucionária do 25 de Abril tendo ido de encontro de uma forma direta às necessidades do povo que imediatamente o assumiram como seu.

Por outro lado resistiu e de que forma durante anos a todos os ataques … e que ataques!!! “Permita-me quem tem a paciência de me ler de insistir na necessária ou mesmo imprescindível necessidade de entender todo este já longo processo evolutivo do SNS, de o ter vivido dia a dia, refletido e tentado entender como a direita nas suas múltiplas expressões políticas sociais e não menos importantes económicas, tudo fez para o “tomar por dentro”. Os exemplos seriam exaustivos e já em artigos anteriores o tentei lembrar.

Mas não esqueço aquela jovem gestora (hoje já CEO?) de um influente grupo privado da área da saúde que perante as tv’s não se coibiu, talvez ainda inocentemente, de afirmar algo do género: “Ai …não sabe? A saúde a seguir as armas e a droga é o negócio mais lucrativo“. Estava tudo dito!!!

O cavaquismo e as leis do nosso ex-expoente máximo europeu dito de Durão Barroso, que tão útil foi para nós todos (?) e que logo se apagou cá para o burgo, cedo tentaram acabar com tão “revolucionárias” concretizações de saúde igual para todos sem mercado a funcionar e respetiva acumulação de capital apenas para os que têm direito a enriquecer e sem um “estado gastador e mau gestor”…! Felizmente, ao que parece, e assim espero, a primeira grande investida a que o comentador presidente beijoqueiro Marcelo não foi estranho, não saiu de todo vencedora.

Mas, convenhamos que estamos ainda longe de poder cantar vitória, embora entenda em parte as posições dos partidos de esquerda.

O que me faz doer a alma, como quase sempre que problemas significativos se levantam, é ver nas televisões e não só , os nossos habituais e quase exclusivos CEO’s da ainda assim designada por comunicação social “ botarem faladura” sem a mais pequena informação ou conhecimento da matéria em causa desde que se salvaguarde a mítica ideia do bloco central e se agrade aos respetivos patröes. Até quando?

Eurico Gomes

  • médico

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