ALGARVE

Mesmo sem Feira da Praia espanhóis invadem VRSA

Dias de feira sem Feira em VRSA
Outubro seria o mês da emblemática Feira da Praia, que se realiza anualmente na cidade de Vila Real de Santo António e que este ano volta a não alegrar as ruas da cidade. A culpa, mais uma vez, é da pandemia. Contudo, os visitantes espanhóis (e não só) não deixam de visitar a cidade por estes dias.

A Avenida da República e a Praça Marquês de Pombal, em pleno em VRSA, costumam ser os cenários da tradicional Feira da Praia, que é marcada pela visita de muitos espanhóis, que comemoram o Feriado Nacional de Espanha (12 de outubro) com um saltinho ao Sotavento Algarvio. Neste dias, a chamada “invasão espanhola” propõe-se “atacar” as tradicionais lojas de rua do centro histórico, onde “nuestros hermanos” têm por hábito comprar loiças, artesanato e os tradicionais atoalhados.

Apesar do cancelamento da feira nos moldes pré-pandemia, a Praça Marquês de Pombal continua a ser um palco de atividade para os comerciantes e feirantes locais durante esta semana, os quais aproveitam a vinda dos “nossos vizinhos” para aumentar as vendas depois de um período “negro” para o setor do comércio, da restauração e do turismo. Este ano não é exceção, e os turistas vieram, mesmo não sabendo do cancelamento da feira, como aconteceu com Cármen Alonso, residente em Ayamonte, apaixonada por Portugal: “Gosto da cidade, da comida e das pessoas. Tenho pena que a feira este ano não se realize mas cá estarei para o próximo ano”, asseverou.

As lojas tradicionais de rua em VRSA são conhecidas pelos seus atoalhados, loiças e utensílios de cozinha, que continuam a ser os best sellers, apesar de este ano a afluência estar a ser menor, tal como retrata Cátia Guerreiro, colaboradora da Casa Josita, que vende atoalhados no centro da cidade. Para Cátia, os últimos quatro anos têm revelado uma diminuição do fluxo de visitantes, que se veio a agudizar com a pandemia. Contrariamente a outros anos, em que é necessário reforçar o staff da loja para dar resposta no atendimento, Cátia revelou que apenas no dia do feriado em Espanha, 12 de Outubro, necessitou de “mais uma pessoa”. Na Casa Josita, são os “atoalhados e os aventais que fazem o dia”, segundo Cátia.

Também na Casa Caravela, especializada em decoração e utensílios de cozinha, os dias “nada têm a ver com o movimento normal dos dias de feira”, apesar do fluxo mais recente, destacou Helena Campos, responsável de loja. Para a gerente, o regresso das excursões vindas de território espanhol e o levantamento das restrições ao limite nos espaços públicos são “um sinal de esperança”, neste que será, nas suas palavras, “um novo ciclo para o comércio” e que muito sofreu com o encerramento das fronteiras. A alternativa aos modelos de negócio com base no comércio online foram “a tábua de salvação” para a sobrevivência da Casa Caravela, revelou Helena, que sublinhou ainda que “os espanhóis gostam de tudo o que é português, acham que está na moda”, sendo também os grandes “fãs” da Feira da Praia.

No artesanato, a Loja “Ouro Vegetal” admite um período difícil com “dias de vendas fracos”, em que a faturação “não chega aos 20 euros no final do dia” apesar de o fluxo de turistas ter aumentado desde o verão. Armindo Martins, que gere uma banca de assessórios na Praça Marquês de Pombal, destaca ainda que “muita gente não é sinónimo de vendas”, tendo registado 50% de quebras nas vendas desde a pandemia. O cancelamento da feira “em nada veio ajudar”, lamenta. Por outro lado, Piedade Dias, artesã de acessórios em palma na Associação Cultural de VRSA revela que as vendas têm sido melhores do que esperava, pois “os espanhóis acabam por encontrar aqui artigos únicos e que não encontram no grande comércio”.

Já a restauração, que tem beneficiado dos bons dias de sol que se têm vivido na região, é um setor normalmente privilegiado em dias alusivos à feira. Rui Vila Nova, dono do snack-bar Monumental, retrata um panorama positivo, com “dias de negócio muito bons na última semana” e a presença das famílias espanholas. Em jeito de descontentamento, Rui aproveita para sublinhar a importância da realização da feira para a cidade, que está privada desta tradição há dois anos consecutivos.

A Feira da Praia teve origem no areal da Praia de Monte Gordo em 1765 e foi depois transferida para a cidade de VRSA aquando a sua fundação, em 1774. Este evento, para além de constituir uma importante tradição do município, desempenha um papel essencial no que toca à promoção do comércio, da restauração, da gastronomia e da cultura locais.

É tamanho o entrosamento entre portugueses e espanhóis por estes dias de maior movimento alusivos ao feriado espanhol de 12 de outubro, que o comando da PSP de VRSA e a polícia espanhola fazem patrulhamentos conjuntos pela cidade e zonas circundantes com o objetivo de assegurar o normal funcionamento dos fluxos das duas comunidades.

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