Do quintal à herdade

Muitas conquistas, muitas lutas longas, mas conseguidas, foram feitas na Educação Pré-escolar. Na verdade, devemos estar cientes de que não devemos desistir, pois a luta é o caminho! Prolongado foi o tempo pela conquista de um calendário escolar igual ao do 1.º Ciclo; foram precisos 15 anos, mas conseguiu-se! As reuniões de avaliação, nos finais de período, eram realizadas após um dia de trabalho letivo com as crianças e não havia espaço para a articulação com o 1.º Ciclo. Atualmente, temos o direito a um período de avaliação coincidente com o 1.º Ciclo, em que pelo menos um dia é de articulação com o mesmo. Estes são alguns exemplos do muito que demorámos a conquistar, mas perder é muito fácil.

Até 2013/2014 um grupo de crianças com 3 anos era constituído por 15 crianças, atualmente é constituído por 25 crianças.
Enquanto anteriormente as crianças ingressavam na Educação Pré-escolar com 3 anos, atualmente é possível a sua entrada com 2 anos, quando os respetivos estabelecimentos não têm condições adequadas às necessidades dessas crianças.

Muitos educadores, excecionalmente, receberam nos seus grupos mais uma, mais duas ou mais três crianças para além das 15; outros receberam uma ou mais ou muitas mais crianças de 2 anos nos seus grupos de Educação Pré-Escolar. A exceção tornou-se regra, implicando isto a perda de postos de trabalho, sobretudo em creches. Já não basta a agravante de, mesmo sendo indispensáveis, injustamente, não ser contado o tempo de serviço às educadoras que trabalham nesta valência. É imprescindível que pensemos como uma classe e não apenas no “nosso quintal”, pois rapidamente o processo reverte-se e somos todos prejudicados.

Cabe-nos lutar para obrigar o Ministério da Educação a criar creches públicas com tempo de serviço certificado.
É imperativo que alarguemos os nossos quintais e os tornemos herdades maiores onde haja lugar para toda a classe de educadores e professores; a propósito de agricultura, não nos esqueçamos que a FENPROF aduba e prepara o terreno mas somos nós, educadores e professores, os responsáveis por manter a cultura em que acreditamos. Aqui e em todas as classes trabalhadoras! Porque os sindicatos somos todos, feitos por cada um nós! Juntos por melhores condições e direitos na luta por todos. Viva o SPZS, viva a FENPROF e vivam todos aqueles que lutam pelas classes trabalhadoras.

Amália Gonçalves

(Intervenção no 13.º Congresso Nacional de Professores -junho de 2019)

Educadora e Dirigente Sindical do SPZS

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