O temporal que no passado domingo se abateu sobre o Algarve, com particular gravidade sobre Albufeira, onde deixou uma marca de destruição como não há memória, mais do que os prejuízos materiais, de muitas centenas de milhares de euros – o município declarou o estado de calamidade – em estabelecimentos comerciais, bares, restaurantes, viaturas, ruas e outras infraestruturas, tendo provocado, inclusive, uma vítima mortal em Boliqueime, pôs a nú, uma vez mais, os erros urbanísticos cometidos, sobretudo no auge, do negócio imobiliário.
Durante mais de três décadas, construiu-se de uma forma desordenada, um pouco por todo o lado, mas principalmente no litoral e nos centros urbanos mais concorridos, numa especulação desenfreada, que não poupou as zonas mais sensíveis.
Desta vez foi Albufeira o epicentro de um desastre anunciado que, embora sem esta mesma gravidade, costuma ser recorrente noutras zonas bem identificadas da nossa região, sempre que chove com um pouco mais de intensidade.
Há tragédias que são fruto do fatalismo e contra as quais o homem não consegue lutar, mas há outras, como a do último domingo em Albufeira que era possível minimizar não fosse a vontade de tudo sacrificar, em nome do lucro rápido e fácil.
E não foi apenas antes da inexistência de qualquer plano de ordenamento que se cometeram estes atentados, muitas edificações feitas em cima de falésias, em zonas protegidas ou em leito de cheias, resultaram, em alguns casos, de violações dos planos de ordenamento, como é o caso dos PDMs e do PROTAL.
Mas como a luta contra a corrupção, o branqueamento, a fraude fiscal e o tráfico de influências, só agora parece ter, verdadeiramente, começado, esses casos ficaram impunes. Não fora a crise do imobiliário, com o consequente abrandamento do negócio da construção e muito provavelmente, continuaríamos a assistir ao multiplicar deste tipo de agressões.
Infelizmente, passe o lugar comum, é preciso uma tragédia como a de Albufeira ou como a que há anos se verificou, ainda com maior gravidade, no Funchal, para constatarmos a real dimensão destes erros. O custo que representam para as vítimas, para as regiões e para o país.
Seria bom que se corrigisse o que é possível, em vez de se ficar à espera da próxima enxurrada!
Fernando Reis
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