Educação e cidadania (1)

As sociedades têm, hoje, profunda consciência do lugar, absolutamente determinante, que a EDUCAÇÃO ocupa no longo e complexo processo do seu desenvolvimento humano, económico e social.
As opiniões públicas, informadas e interventivas, compreendem o papel indispensável dos professores e educadores na construção dos saberes essenciais à formação integral do ser humano e, bem assim, o contributo indispensável daqueles profissionais para o progresso e o êxito das sociedades modernas.
As populações, quer as dos grandes centros urbanos cosmopolitas, quer as do interior menos favorecido , têm sabido rejeitar a maioria das “mercenárias” opiniões publicadas que procuram denegrir o merecido prestígio profissional dos docentes. Estes continuam a merecer o reconhecimento das comunidades onde trabalham e se inserem.
De igual modo, pais e encarregados de educação, esmagadora e responsavelmente, ignoram as insidiosas e continuadas campanhas que, muitas vezes, de modo orquestrado por interesses vinculados ao ensino privado, procuram desvalorizar a imagem pública dos educadores e professores do ensino público. Por isso as comunidades educativas e escolares continuam a manifestar toda a solidariedade para com estes profissionais. Simultaneamente revelam uma profunda e verdadeira confiança na classe e na escola pública, continuando a confiar aos educadores e professores as suas crianças e jovens, naquela que é a maior demonstração do seu sentido cívico e da firme consciência cidadã que revelam possuir.

Dignidade e coragem
São comprovadamente elevados os princípios éticos a que obedece a reflexão profissional dos docentes portugueses. Em consequência são objeto de elogio a qualidade, o rigor e os valores democráticos das suas práticas educativas inclusivas. Estes entendimentos ajudam a explicar o acolhimento e a compreensão, largamente maioritária, do povo português para com as justas reivindicações e os pacíficos protestos da classe, ao longo dos tempos.
Em Portugal, como se sabe, durante a ditadura salazarista e caetanista, muitos docentes enfrentaram a prisão e a tortura, bem como a expulsão do sistema de ensino e a proibição de ensinar, por lutarem pela Liberdade e em nome de uma Educação para todos.
Em todo o mundo a EDUCAÇÃO é um dos mais importantes e potenciais Direitos Humanos, está inscrito nos relevantes instrumentos diplomáticos internacionais e, em Portugal, merece destacada relevância constitucional.
É indiscutível que o papel desempenhado pelos educadores e professores foi absolutamente determinante na conquista do direito à EDUCAÇÃO, nomeadamente, a educação pública e democrática, gratuita e universal, de qualidade e inclusiva.
O caminho dos profissionais da EDUCAÇÃO nunca foi fácil, perante as políticas educativas conservadoras ou falsamente progressistas, de muitos e sucessivos governos portugueses. Foi quase permanente este combate, marcado por enormes manifestações públicas da classe, com fortes e muito participadas greves, para além de duras e difíceis negociações com a tutela. Tudo no sentido de defender e melhorar a escola e o ensino públicos, indispensáveis ao desenvolvimento de Portugal.
(continua)

Augusto Lourido

*professor aposentado e cidadão sindicalizado…

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