DESPORTO FUTEBOL

Empate a uma bola no derby algarvio

Empate

Farense e Portimonense empataram 1-1, na terça-feira, na 29.ª jornada da I Liga de futebol, com a equipa de Portimão a aproveitar um erro defensivo para complicar a tarefa dos vizinhos de Faro na luta pela manutenção.

O avançado brasileiro Pedro Henrique colocou o Farense em vantagem, aos 24 minutos, golo que seria anulado pelo tento de Aylton Boa Morte, aos 79, num jogo em que os forasteiros somaram ainda duas bolas na trave.

O Portimonense, que nunca ganhou em casa do Farense na I Liga em seis jogos, contabiliza agora 33 pontos, no 11.º lugar, mais sete do que o rival algarvio, que ocupa o penúltimo lugar.

Jorge Costa operou apenas uma alteração face ao triunfo em Paços de Ferreira (2-0), na jornada anterior, tendo Fabrício voltado ao ‘onze’ no lugar de Licá, enquanto no Portimonense foram duas as mudanças, com os regressos de Anzai e Ewerton, após a derrota caseira com o Benfica (5-1).

O Farense, motivado pelo fogo de artifício que os adeptos deflagraram junto ao estádio antes do início do jogo, entrou com a dinâmica habitual dos últimos jogos, tentando impor domínio territorial a partir do primeiro minuto.

Foi logo no segundo minuto que surgiu a primeira ocasião de perigo: Ryan Gauld fugiu ao marcador direto pela esquerda, foi à linha de fundo e cruzou rasteiro, aparecendo Pedro Henrique ao primeiro poste a desviar para fora.

Pouco depois, aos oito minutos, Lucca tentou surpreender Samuel num livre direto, mas a bola saiu ao lado, enquanto o Portimonense, que teve pouca bola no primeiro quarto de hora, respondeu aos 20, num ‘tiro’ de fora da área de Fabrício, que acertou na trave.

O Farense abriu o ativo aos 24 minutos, por Pedro Henrique: o dianteiro brasileiro marcou o seu terceiro golo na Liga, respondendo de cabeça, ao segundo poste, a um cruzamento com ‘conta, peso e medida’ de Gauld, que somou a sexta assistência na prova.

A equipa de Jorge Costa, com a motivação ’em alta’, continuou a apertar o vizinho Portimonense, mas Samuel evitou o segundo golo com uma defesa brilhante a remate de Mansilla (29), após boa combinação coletiva dos locais.

Descontente com o rumo dos acontecimentos, Paulo Sérgio trocou um ‘trinco’ por um extremo ao intervalo (Willyan por Anderson Oliveira), com mudança de sistema de 4-3-3 para 4-4-2, ganhando mais acutilância ofensiva.

A equipa de Portimão esteve perto do empate duas vezes: primeiro, foi Beto a evitar, com grande defesa, uma tentativa de Fabrício (52) e, depois, foi Fali Candé a atirar à barra (63), num cruzamento/remate em arco, num livre ‘pegado’ à linha lateral do flanco direito do ataque forasteiro.

O Portimonense acabou por igualar a partida após um erro clamoroso de Eduardo Mancha, aos 79 minutos: o central falhou o atraso de cabeça, o guardião Beto ainda defendeu o remate de Beto e Aylton Boa Morte, na recarga, não desperdiçou.

A equipa de Faro ainda podia ter feito o 2-1 na pressão final: Ryan Gauld teve o golo nos pés, mas Fali Candé cortou na ‘hora h’ com Samuel fora do lance, aos 85, enquanto Samuel travou o remate de Licá no quinto minuto de descontos.

Declarações dos técnicos

Jorge Costa (treinador do Farense): “Não foi seguramente um jogo tecnicamente evoluído. Entre duas equipas que se conhecem bem e que se tentaram anular.

Parece-me que hoje acusámos em demasia a pressão dos três pontos. Depois de termos feito o golo, pensava que a equipa se podia libertar um pouco mais. Não tivemos, apesar de termos tido mais posse do que o Portimonense, uma circulação de bola segura.

Apesar de achar que tivemos mais oportunidades – podíamos ter feito o 2-0 e matávamos o jogo -, não fomos eficazes a segurar a vantagem. Cometemos um erro crasso e saímos daqui tristes e desiludidos, porque deixámos dois pontos que nos faziam muita falta.

Ainda temos 15 pontos em disputa, num campeonato atípico, em que as outras equipas têm feito pontos inesperados. Os 15 pontos são suficientes para sairmos da situação em que estamos. Há vontade, há qualidade, há organização, há bons jogos e os bons resultados vão aparecer. Perdemos alguns jogos por mera infelicidade, mas estamos no caminho.

Não vai ser fácil, mas não estamos numa situação desesperada. Estamos a três, quatro pontos [dos adversários] e, muito honestamente, comparando os calendários, acredito plenamente que vamos chegar lá.

Se tivesse conquistado os três pontos, iria a Barcelos [defrontar o Gil Vicente] com a mesma ambição. Estamos aqui para dar o corpo às balas e lutar pela exaustão para manter o Farense na I Liga. Temos adeptos fantásticos e hoje tivemos aqui uma manifestação de apoio e carinho que não é fácil ver noutras partes. Este clube tem todas as condições e merece ter um final feliz.”

Paulo Sérgio (treinador do Portimonense): “Foi um jogo muito dividido, muito disputado. O Farense tem estas características, é uma equipa muito aguerrida, luta pelas bolas todas, à imagem do Jorge [Costa]. Nós percebemos bem qual era o processo mais utilizado agora.

Cometemos um erro ou outro. Deixámos entrar algumas bolas nas costas no primeiro tempo, mas depois corrigimos isso. Sofremos um golo num período em que já estávamos melhor. Não conseguimos ligar o jogo da forma de que gosto na fase inicial, por mérito do Farense, que nos pressionou. E quando já estávamos melhor, surge o golo, num erro nosso.

Depois, as coisas alteraram-se. Mexemos ao intervalo, na busca do resultado, e fizemos uma segunda parte com outra dinâmica, com outra ligação no jogo.

O Farense teve uma boa oportunidade num contra-ataque, num remate cruzado com perigo, e nós temos uma grande defesa do Beto e duas bolas nos ferros.

É um resultado que se ajusta, pelo que foi o jogo. Na primeira parte, não conseguimos fazer tudo o que queríamos, na segunda parte, fomos uma equipa mais à imagem do que somos.”

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