EN 125 não é alternativa à A22

Mais meia hora de viagem, com passagem por 20 rotundas, sete localidades e 12 semáforos, é o que espera os automobilistas que se deslocarem entre Vila Real de Santo António e Faro pela Estrada Nacional 125 (EN125).

A EN125 atravessa todo o Algarve e é a única via alternativa à autoestrada 22 (A22), conhecida como Via do Infante, mas o seu traçado é problemático, com muitas localidades e habitações à beira da estrada, centenas de cruzamentos e entroncamentos e uma via em cada sentido em grande parte da sua distância, entre outro problemas.

Esta configuração tornou-a numa das estradas mais mortíferas do país, levando as autoridades policiais a aplicar uma política de “tolerância zero” para reduzir a sinistralidade.

Uma deslocação de cerca de 50 quilómetros é morosa devido ao trânsito, aos limites de velocidade, às passagens por localidades, aos veículos pesados, aos peões que circulam e atravessam a via, entre outros problemas.

Se o governo estender a aplicação de portagens nas autoestradas sem custos para o utilizador (SCUTS) à Via do Infante, uma pessoa de Faro que trabalhe em Vila Real de Santo António, ou vice versa, e não quiser pagar terá de utilizar a EN125, gastando mais uma hora diária nas deslocações de ida e volta, se não for hora de ponta.

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL) e da Câmara de Faro, Macário Correia, opõe-se a uma eventual introdução de portagens na Via do Infante por considerar que “não existe uma via alternativa” e que a região “só perde” em termos económicos.

“Nós não vimos qualquer condição honesta para a introdução de portagens na Via do Infante. O governo sempre disse que a sua introdução em qualquer lado implica a existência de uma via alternativa e sempre foi dito e afirmado que o Algarve não tem via alternativa à Via do Infante, porque a (Estrada Nacional, EN) 125 é uma rua que não tem qualquer condição para trânsito de longo curso”, afirmou Macário Correia, em declarações à Lusa.

O presidente da AMAL frisou que a introdução de portagens na via do Infante seria “uma fuga à palavra e a um compromisso do Governo”.

O presidente da Câmara de Vila Real de Santo António, Luís Gomes, também criticou uma introdução de portagens na A22, considerando que seria “muito grave para a economia da região”, uma “das poucas do país que não tem qualquer alternativa credível a uma rua que se chama 125 e que é transversal a todo o Algarve”.

O autarca considerou que a introdução de portagens “é um murro no estômago” para municípios como Castro Marim, Vila Real de Santo António e Alcoutim, que “conseguiram atrair pessoas que trabalham na capital do Algarve para neles morarem, devido à sua curta distância em termos de tempo”.

Os dois autarcas criticaram ainda o atraso na requalificação da EN125, que devia ter começado em 2009 e estar concluída em dois anos mas ainda não foi concretizada, acusando o executivo de faltar às promessas eleitorais e não ter ética política.

MHC.

***Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

JA/Lusa

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