ALGARVE COVID-19 ENTREVISTA

Entrevista: Algarve já fez mais de 7 mil testes

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Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO ALGARVE, o coordenador do Algarve Biomedical Center (ABC), o cardiologista Nuno Marques, 40 anos, descreve o trabalho do Centro na organização da colheita e testagem ao vírus. Garante que, desde 1 de abril, o ABC já fez mais de 7 mil testes, dos quais 5.800 em lares no Algarve e 200 no Baixo Alentejo. E está em velocidade de cruzeiro: diariamente, o ABC já está a fazer 300 testes, só nos 90 lares da região

João Prudêncio

JORNAL DO ALGARVE (JA) – Para além da agilização das recolhas de amostras para testes ao COVID-19 nos cerca de 90 lares do Algarve, quais as outras atribuições do ABC no atual contexto pandémico?

NUNO MARQUES (NM) – Numa altura em que todos somos convocados neste combate à pandemia e quando temos competências e equipas altamente dedicadas, o ABC tem feito todos os esforços para dar resposta às principais necessidades da região do Algarve e do País. Em estreita articulação com as diferentes autoridades locais, regionais e nacionais, estamos a trabalhar em diversas frentes. Assim:

– Estamos a rastrear todos os utentes e funcionários dos lares do Algarve, o que começámos a fazer a 1 de abril, tendo sido já testadas mais de 5.800 mil pessoas nos lares e 66 instituições, no âmbito de um protocolo que fizemos com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social;

– Começámos a produzir zaragatoas através de método manual, em parceria com a start-up da Região Mark 6 Prototyping. Neste momento, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e do Ministério do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, já estabelecemos uma parceria com a empresa Hidrofer e o Instituto Superior Técnico para tornar esta produção industrial, o que vai permitir ao país passar da importação à exportação de zaragatoas. Também o líquido de transporte das mesmas é produzido pelo ABC;

– Estamos a rastrear as pessoas que são testadas no drive-thru, junto ao Estádio do Algarve, para onde são encaminhados os casos suspeitos menos graves, que deixaram de ter de se deslocar aos hospitais, sendo os testes realizados garantindo todas as condições de segurança;

– Estabelecemos uma parceria com o Ministério da Saúde para reforçar a capacidade de resposta da Linha SNS24, pelo que formámos 160 estudantes de Medicina da Universidade do Algarve, que passaram a integrar o call center de Faro, e 130 estudantes de Medicina da Universidade do Minho, que trabalham no call center que abriu recentemente em Braga;

– Criámos uma linha telefónica gratuita, em colaboração com a Câmara Municipal de Loulé, para que a população do Algarve possa esclarecer dúvidas sobre a COVID-19, a qual funciona todos os dias entre as 8:00 e as 20:00 através do número 800 222 019;

– Estamos a dar apoio a Moçambique, no âmbito da pandemia.

JA – Quais as razões de ter sido escolhido o ABC como parceiro para tão determinantes tarefas?

NM – O ABC tem como principal missão criar, transmitir e difundir uma cultura de investigação e desenvolvimento, contribuindo para formar profissionais altamente qualificados e diferenciados. Uma missão que tem como fim último prestar os melhores cuidados de saúde à população. De nada nos serve ter investigação e conhecimento, se não forem colocados à disposição da sociedade. É isso que o ABC tem vindo a fazer. O facto de estarmos permanentemente à procura de soluções para as principais necessidades da região tem feito com que sejamos contactados para disponibilizar as nossas competências. Isso deixa-nos muito satisfeitos, já que vai ao encontro daquela que é a nossa missão: colocar o conhecimento e a ciência ao serviço das pessoas.

JA – Como decorre a recolha de testes nos lares da região e quando prevê o ABC ter terminado essa recolha?

NM – O rastreio aos lares tem decorrido bastante bem. Começámos dia 1 de abril. Desde então, já testámos 5.800 pessoas nos lares e 66 instituições da Região. Prevemos ter o trabalho concluído nas próximas semanas. No entanto, não ficaremos por aqui, uma vez que o Governo já nos lançou novos desafios para ajudarmos o País no combate a esta pandemia.

JA – O trabalho nos lares ficará terminado com o fim dessa imensa tarefa, ou continuará através de novas vagas de testes, num trabalho virtualmente incessante?

NM – O trabalho nos lares começa bastante antes das colheitas e dos testes e terminará bastante depois dos testes. Estamos a acompanhar continuamente todas os lares, em estreita articulação com a Segurança Social Regional, o que implica a realização de testes, formação e apoio contínuo aos lares.

JA – A vossa meta diária em lares eram 200 testes. Quantos testes diários estão a ser feitos em lares neste momento?

NM – Neste momento, estamos já a realizar, diariamente, 300 testes nos lares, pelo que já ultrapassámos a meta dos 200 testes diários há mais de uma semana.

JA – Como decorrem as demais tarefas do ABC no contexto desta crise sanitária?

NM – O balanço é muito positivo. Temos, como já expliquei, várias iniciativas em curso para dar resposta à pandemia, quer no Algarve quer no resto do País.

JA – Em que consiste e como tem resultado, na prática, o acordo do ABC com o Instituto Superior técnico para a produção de zaragatoas?

NM – O ABC estabeleceu uma parceria com o Instituto Superior Técnico e com a empresa Hidrofer para a produção de 100 mil kits por semana para recolha de amostras para testes à COVID-19, que é composto por duas zaragatoas e um tubo com meio líquido de transporte viral. Ao ABC cabe a produção do meio líquido, ao Instituto Superior Técnico os tubos e à Hidrofer as zaragatoas. Este consórcio conta também com o apoio da Logoplaste, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e do Banco Santander.

JA – Continua a haver dificuldades na obtenção de reagentes? Como está a ser contornado esse problema?

NM – Em contexto de pandemia, a dificuldade na obtenção de reagentes existe para todos. O ABC, através de um planeamento adequado e atempado, implementou, desde logo, duas linhas de testes, utilizando reagentes diferentes, em estreita articulação com os restantes institutos nacionais de investigação. Isto fez com que, no nosso caso, não tenhamos tido ainda qualquer paragem na realização de testes. Planeamento e cooperação são a chave para suplantar as dificuldades.

JA – Pode-me descrever, resumidamente, o circuito de um teste, desde a sua produção até à obtenção do resultado?

NM – Os atuais testes para a COVID-19 são realizados através do método de PCR em tempo real. Traduzindo isto para uma linguagem menos técnica, os passos são os seguintes: colheita da amostra em meio de transporte viral, inativação do vírus, retirada do material genético do vírus (RNA), amplificação do material genético e confirmação, através de marcadores, de que estamos, ou não, perante COVID-19. São vários passos num processo moroso que os investigadores do CBMR/ABC dominam completamente.

JA – Até hoje, quantos testes COVID-19 já fez o ABC no Algarve? E apenas nos lares?

NM – O ABC já realizou mais de 7 mil testes no Algarve, 5.800 dos quais no âmbito dos lares algarvios e 200 no Baixo Alentejo. Os restantes traduzem-se em solicitações específicas da Saúde Pública.

JA – Portugal ainda está longe de esgotar as necessidades diárias de testes? Qual o número dessa necessidade e quantos seriam necessários?

NM – A capacidade de realização de testes em Portugal teve um grande incremento com o envolvimento das instituições académicas nacionais, entre as quais o ABC. As necessidades, em altura de pandemia, são muito significativas. Contudo, a capacidade de resposta é elevada e existiu um aumento significativo o número de testes realizados.

JA – E no Algarve, quantos testes são feitos diariamente e qual seria o número ideal?

NM – Desconheço quantos testes são realizados no Laboratório de Saúde Pública Laura Ayres. Relativamente ao laboratório do CBMR/ABC, estamos a realizar 300 testes por dia, o que é muito significativo. Representa uma resposta cabal da equipa de investigadores da Universidade do Algarve, a quem agradeço todo o empenho e profissionalismo.

JA – Em sua opinião, há uma parte submersa do “iceberg” do número de casos, correspondente aos casos que nunca chegam a ser testados e, portanto, permanecerão para sempre incógnitos? Ou essa parte “submersa” é diminuta e/ou desprezível?

NM – A possibilidade de existirem casos não identificados é uma realidade no Algarve, em Portugal e em qualquer país do mundo. Ainda assim, Portugal e o Algarve, particularmente, têm respondido bem. Iniciaremos, em breve, uma nova fase de testes para dar resposta às necessidades da Região e do País, apoiando a tão necessária, mas segura, retoma da atividade económica.

Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO ALGARVE, o coordenador do Algarve Biomedical Center (ABC), o cardiologista Nuno Marques, 40 anos, descreve o trabalho do Centro na organização da colheita e testagem ao vírus. Garante que, desde 1 de abril, o ABC já fez mais de 7 mil testes, dos quais 5.800 em lares no Algarve e 200 no Baixo Alentejo. E está em velocidade de cruzeiro: diariamente, o ABC já está a fazer 300 testes, só nos 90 lares da região

João Prudêncio

JORNAL DO ALGARVE (JA) – Para além da agilização das recolhas de amostras para testes ao COVID-19 nos cerca de 90 lares do Algarve, quais as outras atribuições do ABC no atual contexto pandémico?

NUNO MARQUES (NM) – Numa altura em que todos somos convocados neste combate à pandemia e quando temos competências e equipas altamente dedicadas, o ABC tem feito todos os esforços para dar resposta às principais necessidades da região do Algarve e do País. Em estreita articulação com as diferentes autoridades locais, regionais e nacionais, estamos a trabalhar em diversas frentes. Assim:

– Estamos a rastrear todos os utentes e funcionários dos lares do Algarve, o que começámos a fazer a 1 de abril, tendo sido já testadas mais de 5.800 mil pessoas nos lares e 66 instituições, no âmbito de um protocolo que fizemos com o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social;

– Começámos a produzir zaragatoas através de método manual, em parceria com a start-up da Região Mark 6 Prototyping. Neste momento, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e do Ministério do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, já estabelecemos uma parceria com a empresa Hidrofer e o Instituto Superior Técnico para tornar esta produção industrial, o que vai permitir ao país passar da importação à exportação de zaragatoas. Também o líquido de transporte das mesmas é produzido pelo ABC;

– Estamos a rastrear as pessoas que são testadas no drive-thru, junto ao Estádio do Algarve, para onde são encaminhados os casos suspeitos menos graves, que deixaram de ter de se deslocar aos hospitais, sendo os testes realizados garantindo todas as condições de segurança;

– Estabelecemos uma parceria com o Ministério da Saúde para reforçar a capacidade de resposta da Linha SNS24, pelo que formámos 160 estudantes de Medicina da Universidade do Algarve, que passaram a integrar o call center de Faro, e 130 estudantes de Medicina da Universidade do Minho, que trabalham no call center que abriu recentemente em Braga;

– Criámos uma linha telefónica gratuita, em colaboração com a Câmara Municipal de Loulé, para que a população do Algarve possa esclarecer dúvidas sobre a COVID-19, a qual funciona todos os dias entre as 8:00 e as 20:00 através do número 800 222 019;

– Estamos a dar apoio a Moçambique, no âmbito da pandemia.

JA – Quais as razões de ter sido escolhido o ABC como parceiro para tão determinantes tarefas?

NM – O ABC tem como principal missão criar, transmitir e difundir uma cultura de investigação e desenvolvimento, contribuindo para formar profissionais altamente qualificados e diferenciados. Uma missão que tem como fim último prestar os melhores cuidados de saúde à população. De nada nos serve ter investigação e conhecimento, se não forem colocados à disposição da sociedade. É isso que o ABC tem vindo a fazer. O facto de estarmos permanentemente à procura de soluções para as principais necessidades da região tem feito com que sejamos contactados para disponibilizar as nossas competências. Isso deixa-nos muito satisfeitos, já que vai ao encontro daquela que é a nossa missão: colocar o conhecimento e a ciência ao serviço das pessoas.

JA – Como decorre a recolha de testes nos lares da região e quando prevê o ABC ter terminado essa recolha?

NM – O rastreio aos lares tem decorrido bastante bem. Começámos dia 1 de abril. Desde então, já testámos 5.800 pessoas nos lares e 66 instituições da Região. Prevemos ter o trabalho concluído nas próximas semanas. No entanto, não ficaremos por aqui, uma vez que o Governo já nos lançou novos desafios para ajudarmos o País no combate a esta pandemia.

JA – O trabalho nos lares ficará terminado com o fim dessa imensa tarefa, ou continuará através de novas vagas de testes, num trabalho virtualmente incessante?

NM – O trabalho nos lares começa bastante antes das colheitas e dos testes e terminará bastante depois dos testes. Estamos a acompanhar continuamente todas os lares, em estreita articulação com a Segurança Social Regional, o que implica a realização de testes, formação e apoio contínuo aos lares.

JA – A vossa meta diária em lares eram 200 testes. Quantos testes diários estão a ser feitos em lares neste momento?

NM – Neste momento, estamos já a realizar, diariamente, 300 testes nos lares, pelo que já ultrapassámos a meta dos 200 testes diários há mais de uma semana.

JA – Como decorrem as demais tarefas do ABC no contexto desta crise sanitária?

NM – O balanço é muito positivo. Temos, como já expliquei, várias iniciativas em curso para dar resposta à pandemia, quer no Algarve quer no resto do País.

JA – Em que consiste e como tem resultado, na prática, o acordo do ABC com o Instituto Superior técnico para a produção de zaragatoas?

NM – O ABC estabeleceu uma parceria com o Instituto Superior Técnico e com a empresa Hidrofer para a produção de 100 mil kits por semana para recolha de amostras para testes à COVID-19, que é composto por duas zaragatoas e um tubo com meio líquido de transporte viral. Ao ABC cabe a produção do meio líquido, ao Instituto Superior Técnico os tubos e à Hidrofer as zaragatoas. Este consórcio conta também com o apoio da Logoplaste, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e do Banco Santander.

JA – Continua a haver dificuldades na obtenção de reagentes? Como está a ser contornado esse problema?

NM – Em contexto de pandemia, a dificuldade na obtenção de reagentes existe para todos. O ABC, através de um planeamento adequado e atempado, implementou, desde logo, duas linhas de testes, utilizando reagentes diferentes, em estreita articulação com os restantes institutos nacionais de investigação. Isto fez com que, no nosso caso, não tenhamos tido ainda qualquer paragem na realização de testes. Planeamento e cooperação são a chave para suplantar as dificuldades.

JA – Pode-me descrever, resumidamente, o circuito de um teste, desde a sua produção até à obtenção do resultado?

NM – Os atuais testes para a COVID-19 são realizados através do método de PCR em tempo real. Traduzindo isto para uma linguagem menos técnica, os passos são os seguintes: colheita da amostra em meio de transporte viral, inativação do vírus, retirada do material genético do vírus (RNA), amplificação do material genético e confirmação, através de marcadores, de que estamos, ou não, perante COVID-19. São vários passos num processo moroso que os investigadores do CBMR/ABC dominam completamente.

JA – Até hoje, quantos testes COVID-19 já fez o ABC no Algarve? E apenas nos lares?

NM – O ABC já realizou mais de 7 mil testes no Algarve, 5.800 dos quais no âmbito dos lares algarvios e 200 no Baixo Alentejo. Os restantes traduzem-se em solicitações específicas da Saúde Pública.

JA – Portugal ainda está longe de esgotar as necessidades diárias de testes? Qual o número dessa necessidade e quantos seriam necessários?

NM – A capacidade de realização de testes em Portugal teve um grande incremento com o envolvimento das instituições académicas nacionais, entre as quais o ABC. As necessidades, em altura de pandemia, são muito significativas. Contudo, a capacidade de resposta é elevada e existiu um aumento significativo o número de testes realizados.

JA – E no Algarve, quantos testes são feitos diariamente e qual seria o número ideal?

NM – Desconheço quantos testes são realizados no Laboratório de Saúde Pública Laura Ayres. Relativamente ao laboratório do CBMR/ABC, estamos a realizar 300 testes por dia, o que é muito significativo. Representa uma resposta cabal da equipa de investigadores da Universidade do Algarve, a quem agradeço todo o empenho e profissionalismo.

JA – Em sua opinião, há uma parte submersa do “iceberg” do número de casos, correspondente aos casos que nunca chegam a ser testados e, portanto, permanecerão para sempre incógnitos? Ou essa parte “submersa” é diminuta e/ou desprezível?

NM – A possibilidade de existirem casos não identificados é uma realidade no Algarve, em Portugal e em qualquer país do mundo. Ainda assim, Portugal e o Algarve, particularmente, têm respondido bem. Iniciaremos, em breve, uma nova fase de testes para dar resposta às necessidades da Região e do País, apoiando a tão necessária, mas segura, retoma da atividade económica.

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