Escândalo: Qatar acusado de comprar organização do Mundial 2022

O presidente da FIFA, Joseph Blater, anunciou em dezembro de 2010 que o Mundial 2022 seria organizado pelo Qatar

A revista francesa “France Football” denuncia esta terça-feira uma alegada trama de compra de votos para a eleição do Qatar como organizador do Mundial de Futebol de 2022. Segundo a revista, estão envolvidos nomes ligados à FIFA, à UEFA, entre os quais o seu presidente, Michel Platini, a diversas federações nacionais e continentais e até à política, entre os quais o antigo Presidente francês Nicolas Sarkozy.

A “France Football” publica um amplo dossiê, de 20 páginas e intitulado “Qatargate”, onde revela uma “reunião secreta” que terá acontecido no Palácio do Eliseu, Paris, em novembro de 2010. De acordo com aquela revista semanal francesa, participaram no encontro o então Presidente francês Nicolas Sarkozy, o presidente da UEFA, Michel Platini, o príncipe Tamin bin Hamad al Thani, do Qatar, bem como Sebastien Bazin, então presidente do Paris Saint Germain (PSG).

Votos em troca de negócios

A revista garante que a reunião serviu para fechar o negócio da compra do PSG por parte do príncipe do Qatar, para que Al Thani aumentasse as suas ações no grupo Lagardere e para a criação de um novo canal de televisão desportivo que concorresse com o Canal Plus pelos direitos dos jogos da liga francesa de futebol. Em troca, o presidente da UEFA, Michel Platini, deveria votar pela candidatura do Qatar para a organização do Mundial 2022.

Entretanto, Platini já admitiu que participou na referida reunião, mas garantiu que Sarkozy nunca lhe pediu para votar pelo Qatar. “Votei no Qatar porque era o momento de o Mundial ir para um país daquela zona do mundo”, explicou o presidente da UEFA, recordando que ”já tinham sido candidatos cinco vezes.”

Uma semana depois da referida reunião, o presidente da FIFA anunciou que o Mundial 2022 seria realizado no Qatar, com a candidatura daquele país do Golfo Pérsico a bater as de Estados Unidos, principal candidato, Austrália, Coreia do Sul e Japão. Refira-se que a candidatura do Qatar chegou, antes, a ser posta em causa devido às condições climatéricas daquela zona, em que as temperaturas podem chegar aos 50 graus centígrados na altura em que se realizam os campeonatos do mundo.

Vários dirigentes envolvidos

Mas a denúncia da suposta trama inclui mais nomes. De acordo com a revista francesa estarão também envolvidos Mohammed Bin Hammam, presidente da Federación Asiática de Futebol e que foi entretanto banido do cargo, Julio Grondona, presidente da Federación Argentina e vice-presidente da FIFA, bem como Ricardo Teixeira, antigo presidente da Confederação Brasileira de Futebol e que se dimitiu o ano passado da FIFA.

A “France Football” aponta, ainda, o nome de Ángel María Villar, presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, como outro dos envolvidos no caso. Segundo a revista, Villar terá apoiado a candidatura do Qatar em troca do voto daquela federação a favor da candidatura de Espanha e Portugal para a organização do Mundial 2018.

Revista francesa garante que possui provas

A publicação francesa garante que possui provas da alegada trama, entre as quais um e-mail de Jerome Valcke, secretário-geral da FIFA, em que o dirigente diz que “compraram o Mundial 2022”, bem como declarações do suíço Guido Tognoni a denunciar que “há fortes suspeitas de fraude”. Refira-se que Tognoni foi afastado da FIFA em 2003.

Jack Warner, antigo vice-presidente da FIFA, também já tinha insinuado que quatro membros do comité receberam 20 milhões de dólares para votar a favor da candidatura do Qatar. Estes seriam Issa Hayatou (Camarões), Nicolás Leoz (Paraguai), Julio Grondona (Argentina) e Rafael Salguero (Guatemala).

A “France Football” garante agora que também tem provas de que o Qatar pagou 40 mil euros por cada voto a favor da sua candidatura e questiona se a atribuição da organização do Mundial 2022 não deverá ser anulada.

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