Espanha regressa ao clube da bancarrota

A tática de Madrid de adiar até ao limite qualquer decisão sobre um plano de resgate global ou o recurso a uma “linha de empréstimo preventiva” está a neutralizar o “efeito Draghi”, o vento positivo provocado pela estratégia de “comunicação” do Banco Central Europeu desde 26 de julho.

Espanha regressou, ontem à noite, ao 10º lugar do “clube” dos países candidatos a uma bancarrota (default) num horizonte de cinco anos, segundo dados da CMA DataVision. A posição mantém-se hoje na abertura do mercado da dívida soberana.

Depois de ter saído em 6 de setembro, no próprio dia em que Mário Draghi anunciou a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de avançar com um novo programa de intervenção ilimitada no mercado secundário da dívida soberana, conhecido pelo acrónimo OMT, e de ter reentrado, por umas horas, em 11 de setembro, Espanha volta ao grupo dos 10 países do mundo com maior probabilidade de verem ocorrer um default.

A probabilidade de incumprimento subiu de 25,20% no fecho da semana passada para 26,90% no fecho de ontem e 27,20% na abertura de hoje.

Os analistas atribuem esta deterioração das condições da dívida espanhola à tática pública seguida pelo chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, de rejeitar o recurso a uma plano de resgate global ou a uma designada linha de crédito preventiva, deixando os investidores na dívida mergulhados, de novo, sobre a incerteza do que poderá ocorrer com a dívida pública espanhola.

Nas últimas reuniões informais do Eurogrupo e do Ecofin, que decorreram em Nicósia, em Chipre, no final da semana passada, esta tática de Rajoy pareceu ser apoiada pelo ministro das Finanças alemão e firmemente criticada pelos franceses.

O impacto no mercado secundário da dívida foi imediato desde segunda-feira. As yields das obrigações espanholas em todos os prazos estão a subir. Significativo o facto de que a remuneração para as obrigações espanholas a dez anos ter já subido acima de 6% na abertura de hoje. Os analistas temem mais uma escalada até 7%, o limiar vermelho, se o curso dos acontecimentos não se inverter.
Política de comunicação do BCE posta em causa

A “política de comunicação” do BCE seguida desde 26 de julho, falando de uma “bazuca” (um programa de intervenção massiva no mercado secundário) do banco para travar a fragmentação do mercado da dívida, arrisca-se a perder o seu impacto positivo.

Também as yields dos títulos do Tesouro italiano estão a sofrer o contágio altista no mercado secundário.

No caso português, apesar do regresso da crise política e dos sinais massivos de crise social, a situação ainda não tem um sentido definido nos mercados da dívida.

O risco de incumprimento desceu na segunda-feira, mas está a subir hoje. Portugal conserva o 9º lugar naquele grupo de risco. No mercado secundário da dívida, o movimento foi contrário: ontem as yields subiram em todos os prazos, mas hoje, na abertura, estão a descer em todos os prazos.

Entretanto, tornaram-se claras, nas reuniões do Eurogrupo e do Ecofin do fim de semana, as dissensões entre alemães e franceses sobre o âmbito de intervenção da supervisão do Banco Central Europeu no quadro de uma futura União Bancária.

JA|Rede Expresso

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