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“Espero deixar a minha marca na música portuguesa”

Ao vencer o “Ídolos”, o jovem cantor, natural de Faro, ganhou um automóvel, uma bolsa de estudo na London Music School e um contrato discográfico com a editora Universal
Ao vencer o “Ídolos”, o jovem cantor, natural de Faro, ganhou um automóvel, uma bolsa de estudo na London Music School e um contrato discográfico com a editora Universal

Diogo Piçarra, que ficou conhecido do grande público ao vencer a edição dos Ídolos (SIC) em 2012, movimentando desde então uma legião de fãs, acaba de lançar o seu primeiro álbum. Em entrevista ao JA, o jovem algarvio – que aos 24 anos já se destaca como cantor, intérprete, músico, compositor e letrista – revela que a sua ambição num futuro próximo passa por deixar a sua “marca” na música portuguesa

 

“Surpreendente”, “fenomenal”, “asfixiante”. Estes foram alguns dos adjetivos que os jurados do programa de talentos “Ídolos” usaram para classificar as interpretações de Diogo Piçarra, em 2012. O jovem natural de Faro acabaria por conquistar os portugueses que o levaram até à final e lhe deram a vitória. Desde então, a vida de Diogo tem sido muito agitada, sempre em perseguição de um sonho: viver da música. Em entrevista esta semana ao JA, o jovem fala das suas raízes algarvias, conta como surgiu a música na sua vida e revela quais as suas ambições num futuro próximo. Isto num momento em que acaba de lançar o seu primeiro registo discográfico, chamado “Espelho”.

Jornal do Algarve – Como foi a sua adolescência em Faro?
Diogo Piçarra – A minha adolescência e juventude foi passada em muita harmonia e paz na cidade de Faro, apesar de ter vivido alguns anos em Olhão, nos meus primeiros anos de vida. Foi aos 10 anos que finalmente a nossa família decidiu regressar definitivamente à minha cidade natal. Sempre tive sorte nas turmas onde fui colocado nas escolas, bem como dos professores que tive, por isso, creio que a minha educação e aprendizagem foram sempre pacíficas.

J.A. – Como começou sua história com a música? Porque decidiu ser cantor?
D.P. – A música entra na minha vida quando senti um forte desejo de aprender um instrumento, e, por volta dos meus 16 anos, decidi escolher a guitarra como a minha nova companheira. Até então jogava futebol no Futebol Clube S. Luís e, após alguns concursos de talentos na escola secundária, nos quais cada turma tinha de mostrar os seus dotes artísticos, sejam eles quais forem, e ter formado uma banda (“Fora da Bóia”), comecei a perceber pelos que me rodeavam que gostavam do que ouviam e todos estes incentivos ajudaram-me a decidir o que viria a ser o meu futuro.

J.A. – O que mudou na sua vida depois de ter vencido os “Ídolos” em 2012?
D.P. – A vitória no Ídolos (SIC) veio dar-me a ajuda e as certezas que eu necessitava para decidir o meu futuro na música. Até àquele momento, as notas musicais e as letras eram apenas um refúgio do dia-a-dia e o meu escape diário.

J.A. – O prémio do concurso – sair do Algarve para ir estudar música em Londres – foi determinante para a sua carreira?
D.P. – Se o programa me ajudou a decidir o meu futuro, ir estudar música em Londres veio a consolidar ainda mais esse plano. Graças aos conhecimentos e às bases que ganhei durante esses seis meses, pude finalmente pôr em prática muitas das ideias que vinha a guardar na cabeça, e, por conta própria, conseguir gravar e produzir a minha música.

J.A. – Quais são as suas ambições, ou seja, até onde espera chegar num futuro próximo?
D.P. – Num futuro próximo espero sinceramente deixar a minha marca na música portuguesa. Até agora tenho sido um intérprete de temas de outros artistas, contudo, desde que comecei a dar os primeiros acordes sempre compus e, por isso, desejo iniciar a minha caminhada como autor e compositor.

J.A. – Quando surgiu a ideia de gravar o primeiro álbum? O Diogo escreve as letras, compõe e canta no disco… O que quer expressar através deste disco?
D.P. – Desde o momento em que comecei a tocar e a cantar, o desejo de gravar um disco foi aumentando. Já devo ter escrito uns cinco discos, e ter enchido quatro telemóveis e imensos gravadores com ideias e melodias, por isso, este disco é o somatório destes últimos anos da minha vida. Tem tanto de experiências de há uns meses como de vivências de há três anos. Quis, acima de tudo, deixar a minha vida escrita e gravada, e acredito que muita gente se irá identificar, porque é provável que muitos já sentiram tudo o que deixei gravado.

J.A – Como define este trabalho musical e quais são as suas inspirações?
D.P. – Defino este trabalho como verdadeiro e coerente. Sempre lutei para deixar a minha marca em tudo o que faço, e este disco foi a maior batalha da minha vida até agora. Posso dizer que muitos artistas ingleses durante a minha estadia em Londres me vieram ajudar a encontrar o meu estilo musical, como James Blake e Ed Sheeran.

J.A. – Como têm sido as primeiras respostas ao single do disco, “Tu e Eu”, que saiu em fevereiro (o disco foi lançado mais tarde, a 23 de março)?
D.P. – O feedback em relação à música “Tu e Eu” tem sido inacreditável. E como se as mensagens, comentários e partilhas nas redes sociais não fossem suficiente, ao vivo, então a surpresa foi ainda maior, ao ver toda a gente a cantar a “Tu e Eu” e outras músicas do início ao fim!

J.A. – Encontrou muitas dificuldades ao longo da sua vida/carreira devido ao facto de ser algarvio? Foi preciso batalhar mais?
D.P. – Acredito que as diferenças regionais não são sinónimo de obstáculo. Pelo menos no meu caso não foram, porque hoje em dia a internet e as redes sociais ajudam a encurtar o espaço e a distância que existia há uns anos. No entanto, não tornam tudo mais fácil, há que trabalhar imenso e nunca desistir! Muitos foram os castings, concursos, nacionais ou regionais, vídeos que publiquei e concertos que dei. Para além disso, há que ter a postura profissional de quem quer realmente algo, dar graças por haver pessoas muito bondosas que se cruzam no teu caminho e manter os pés bem assentes na terra.

J.A. – Já tem uma legião de fãs nas redes sociais que seguem a sua carreira, especialmente depois da aparição no concurso “Ídolos”. O que acha da fama?
D.P. – A fama para mim não existe, apenas o trabalho, e quem acha que é famoso é porque não trabalha. Eu só vejo música à frente e tento dar voz aos sentimentos. O resto que possa advir é apenas o reconhecimento que eu encaro com muita humildade e gratidão, pois um dia pode deixar de existir.

J.A. – Quais os momentos e como nascem as suas composições?
D.P. – Muitas das canções nascem de melodias que me surgem na cabeça durante o dia ou até durante o sono. A primeira reação é pegar no telemóvel ou algo para que consiga registar esse momento antes que me esqueça. E podem crer que é como um comboio que passa: se não lhe tiras logo uma fotografia, depois pode ser tarde demais.

J.A. – Qualquer outro comentário, declaração ou tema será bem-vindo…
D.P. – Quero aproveitar para deixar o meu agradecimento a todos os que me seguem e deixam todo o amor nos concertos e nas mensagens que me dedicam. Muitas são as que não consigo responder, por isso, aproveito para fazê-lo. Também ao Jornal do Algarve pela entrevista e a todo o Algarve pelo apoio e força que me têm dado desde o princípio.

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“Espelho” é o álbum de estreia de Diogo Piçarra

O álbum de estreia de Diogo Piçarra chama-se “Espelho” e foi lançado no passado dia 23 de março. Produzido por Fred Ferreira (Banda do Mar, Orelha Negra, Buraka Som Sistema), este disco mostra Diogo Piçarra enquanto compositor, autor e multi-instrumentista.
“Espelho” é constituído por 11 canções. A edição digital inclui um tema acústico como faixa extra e na versão CD, para além deste tema acústico, está incluída uma nova versão de “Volta”, o único original que Diogo Piçarra tinha lançado até à data, e que estava disponível apenas digitalmente. “Volta” reúne consenso entre os fãs de Diogo Piçarra, contando já com mais de 600 mil visualizações no youtube.
Já o vídeoclip de “Tu e Eu”, o primeiro single de “Espelho”, realizado e editado pelo próprio Diogo Piçarra em parceria com o irmão, André Piçarra, atingiu as 300 mil visualizações no espaço de duas semanas no Vevo.
Mas há mais números que mostram a enorme legião de fãs que seguem e incentivam o cantor algarvio nas redes sociais, desde que venceu a edição dos Ídolos, em 2012. No youtube tem mais de 9 milhões de visualizações e no facebook são mais de 93 mil os que o seguem.

Nuno Couto/JA

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