Exploração de petróleo comparada a central nuclear

A PALP apela à mobilização da população contra a exploração de petróleo, lembrando que Portugal também já resistiu à construção de uma central nuclear

A Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP) escreveu na sexta-feira uma carta aberta, onde apela à mobilização dos portugueses contra a exploração de petróleo e gás natural na costa algarvia. O movimento, que reúne várias entidades e associações ambientalistas, lembra que a população já travou a energia nuclear e que é preciso, agora, evitar uma nova ameaça de atentado ambiental

A construção de uma central nuclear em Portugal é, há quase quatro décadas, um assunto politicamente sensível. Mesmo em termos técnicos, as reservas, as dúvidas e as incertezas persistem.

O mesmo deverá acontecer com a exploração de petróleo e gás natural na costa algarvia, defende a Plataforma Algarve Livre de Petróleo (PALP), um movimento criado recentemente por um conjunto de cidadãos e entidades da região do Algarve e não só.
Numa carta aberta enviada aos portugueses, na passada sexta-feira, a PALP apela à mobilização da população algarvia e do resto do país contra a exploração de petróleo, lembrando que Portugal também já resistiu à construção de uma central nuclear.

“Além de todas as demais razões de bom senso e de visão a médio e longo prazo da nossa economia e da nossa qualidade de vida, não se pode ignorar que no litoral algarvio (e depois pelo litoral oeste do país), existem falhas tectónicas geradoras dos maiores sismos que se abatem ciclicamente sobre Portugal”, acentuam os responsáveis da PALP, frisando que “explorar combustíveis fósseis com esse risco eminente é um autêntico suicídio coletivo e a promessa da destruição das nossas praias e de toda a atividade económica a elas associada”.

“Não se pode ter tudo”

Na carta aberta dirigida a todos os portugueses, a PALP sublinha que não se pode ter tudo: “Ou uma economia assente numa exploração de combustíveis fósseis que a todo o momento pode descambar em catástrofes ambientais e que vai beneficiar sobretudo os magnatas da indústria petrolífera, ou uma economia sustentável que garanta a perenidade do uso dos nossos recursos e a manutenção de uma boa qualidade de vida”, lê-se no documento.

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Para a PALP – que integra representantes da Quercus, da Almargem, da Liga Para a Proteção da Natureza, do Movimento Algarve Livre de Petróleo, da Glocal Faro, da Sociedade Portuguesa Para o Estudo das Aves, da Peace and Art Society e da New Loops – “a escolha cabe aos portugueses esclarecidos que se hão de mobilizar para defenderem, mais uma vez, o seu país, mas começa por caber aos representantes do povo que têm assento na Assembleia da República para defenderem, antes de tudo o mais, os interesses maiores do povo português”.

Nesse sentido, a plataforma apela aos deputados para assumirem a luta contra a já anunciada exploração de petróleo e gás ao longo do litoral algarvio.

Ausência de contrapartidas

Para além do risco dos impactos negativos no ambiente, no turismo e na vida das populações, a PALP alerta também para “a quase ausência de contrapartidas económicas e financeiras para o Estado Português”, frisando que o negócio “deixa nas mãos da empresa privada de exploração petrolífera o lucro e nas mãos dos cidadãos portugueses os riscos e os custos de tão ruinoso contrato e desta péssima decisão política”.

Entretanto, a plataforma anunciou que vai iniciar ainda este mês as reuniões com as câmaras municipais da região. Ao mesmo tempo, os responsáveis vão lançar em maio mais uma petição com o objetivo de recolher um número suficiente de assinaturas para entregar na Assembleia da República a exigência da suspensão imediata da exploração de hidrocarbonetos na costa algarvia.

Ainda este mês, vai também realizar-se o primeiro encontro público “Algarve Livre de Petróleo”, que pretende discutir as possíveis consequências da exploração de petróleo e gás natural na região do Algarve.

Tal como o JA adiantou em abril, a descoberta de petróleo e gás natural na costa algarvia poderá estar por dias. Segundo apurou o nosso jornal, o primeiro furo será realizado no quarto trimestre de 2015, altura em que o consórcio liderado pela petrolífera espanhola Repsol – que integra a Partex, com 10 por cento – deverá avançar para a realização do primeiro furo no offshore marítimo, a cerca de 40 quilómetros das praias.

Nuno Couto/JA

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2 COMENTÁRIOS

  1. isto é um bocado estupido, “…lembrando que Portugal também já resistiu à construção de uma central nuclear” sim Portugal não pode ter centrais nucleares mas Espanha pode construi las na nossa fronteira, o mesmo vai ser com a exploração.

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