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Famílias consomem água imprópria para consumo

Enquanto esperam há cinco meses pela ligação de água da rede pública às suas casas, há famílias na Ilha da Culatra, Algarve, a fazer comida com água imprópria para consumo e até a preparar biberões de leite.

“Vêm pessoas ter comigo a dizer que fazem o biberão do bebé com aquela água imprópria para consumo. Preocupa-me que as pessoas utilizem aquela água para fazer comida para as crianças”, denuncia a presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra.

Sílvia Padinha afirma que tem vindo a alertar as autoridades de que se está perante um “problema de saúde público na Culatra” e critica a Sociedade Polis por ainda não ter autorizado um terço das casas daquela ilha da Ria Formosa a estabelecerem a ligação dos contadores à água potável.

“Já esgotámos todas as possibilidades, já ultrapassámos todos os limites. Isto é uma falta de respeito. Não se justifica que levem cinco meses para analisar 377 processos”, critica.

Há 132 casas da Ilha da Culatra que ainda não têm água da rede pública porque não foram autorizadas pela Sociedade Polis a estabelecer a ligação aos contadores e, por isso, usam águas dos poços que segundo as análises está “imprópria para consumo”, explica Sílvia Padinha.

As famílias da Culatra que ainda não têm água da rede pública em casa desesperam e já temem que o atraso da ligação esteja relacionado com as demolições dessas casas no âmbito do programa “Polis Ria Formosa”.

“A situação de espera está a causar ansiedade, está a causar nervosismo na população. Há pessoas já com certos traumas que até pensam que não têm autorização porque adquiriram uma segunda casa em Olhão para os filhos estudarem e que pensam em vender o património”, conta aquela responsável.

“A partir do momento em que as famílias têm autorização para fazer a ligação de água é comprovativo de primeira habitação e quer dizer que a casa não vai ser demolida. Se não tem água ligada é sinal de que não conseguiram fazer prova de primeira habitação e que a casa poderá vir a ser demolida” e são estas evidências que estão a angustiar as pessoas, explica a presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra.

O autarca de Faro, Macário Correia, comprometeu-se recentemente, segundo Sílvia Padinha, a verificar os processos um a um para depois as pessoas serem notificadas sobre se há falta de algum documento ou se haverá outra questão para esta demora na autorização para ligação à agua da rede pública.

Contactada pela agência Lusa, a Sociedade Polis Litoral Ria Formosa, indica que a ligação dessas infraestruturas deverá estar vinculada à “legalidade das edificações a servir, não devendo os municípios prover serviços públicos a edificações construídas sem o prévio controlo administrativo exigido (vulgo, edificações clandestinas) ou em clara ou conhecida violação das regras técnicas e normativas aplicáveis”.

Segundo a Sociedade Polis, o processo de identificação deverá estar “encerrado a breve trecho, já se encontra concluída a ligação às redes públicas das edificações que a documentação apresentada e a subsequente análise crítica provaram estar em condições de regularização e que representam quase dois terços do universo considerado no Núcleo da Culatra”.

“A decisão sobre as restantes [132 casas] terá que aguardar pela conclusão da avaliação em curso e demais pressupostos de ordem legal e administrativa”, informa a Sociedade Polis.

CCM.

Ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

JA/Lusa

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