ALGARVE Primeira REPORTAGEM

Feira da Perdiz, muito mais do que um certame dedicado à caça

 

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Trata-se de uma autêntica montra das potencialidades do concelho de Alcoutim, as quais, além da atividade cinegética, incluem ainda a gastronomia, o artesanato e o turismo de natureza, entre outras

DOMINGOS VIEGAS

O concelho de Alcoutim possui tantas zonas de caça turísticas como o resto do Algarve. A importância da atividade cinegética é indiscutível naquele município do nordeste algarvio e a Feira da Perdiz, que se realiza anualmente na localidade de Martim Longo, representa uma autêntica janela aberta à promoção desta atividade.

Apesar da feira ser dedicada à caça em geral, o seu nome é uma homenagem à perdiz vermelha. Trata-se de uma das mais importantes espécies cinegéticas da fauna alcouteneja, muito cobiçada pelos caçadores, e que, apesar de ter sofrido um grande declínio na Península Ibérica, ainda é muito comum na zona de Alcoutim. Aliás, neste concelho ainda é muito habitual sermos surpreendidos por um bando de perdizes vermelhas a atravessar a estrada.

A edição deste ano (11.ª) decorre no próximo fim de semana (10 e 11 de novembro), mais uma vez no Pavilhão Municipal José Rosa Pereira e na sua área circundante. A organização volta a estar a cargo da Câmara de Alcoutim e da Associação de Desenvolvimento Etnográfico Cultural de Martim Longo (ADECMAR) e o grande objetivo continua a ser o de “promover as extraordinárias condições cinegéticas do concelho” de Alcoutim.

“É um momento de expor e promover uma das potencialidades do nosso território, que é a atividade cinegética”, sublinha, em declarações ao Jornal do Algarve, o presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves.

O autarca frisa, ainda, que, além da caça, a feira “é também um local para conjugar os nossos produtos e promover, por exemplo, o nosso artesanato, a nossa gastronomia, o mel, o turismo de natureza, ou seja, todos os produtos endógenos que fazem parte da nossa riqueza”. Trata-se de “uma forma de afirmar a nossa posição na cinegética e promover as riquezas do nosso território”, reforça.

Perdiz vermelha (Foto: Juan Lacruz)

Questionado sobre o peso da atividade cinegética na economia do concelho de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves explica que “nos últimos anos tem havido algumas alterações significativas, nomeadamente na distribuição do território em termos de exploração turística e associativa, mas ambas têm uma importância muito significativa”.

Segundo o autarca, por um lado, estão zonas de caça associativas: “Têm uma componente social muito importante. Há muitos alcoutenejos que vivem fora do concelho, distribuídos por toda a região e por todo o país, e utilizam a caça como um pretexto para virem à sua terra aos fins de semana. Isto é importantíssimo, porque se não fosse a caça, provavelmente, não vinham cá tantas vezes”.

Por outro lado, prossegue Osvaldo Gonçalves, estão as zonas de caça turísticas que “têm proporcionado uma dinâmica comercial muito importante no concelho”. Assim, o edil assegura que “tudo isto cria uma dinâmica económica muito grande no tecido empresarial do concelho, nomeadamente ao nível dos pequenos fornecedores de serviços”.

Rei da Suécia caça em Alcoutim

Poucos sabem que o rei da Suécia, Carlos Gustavo, esteve há cerca de dois anos nosso país e, menos ainda, que o monarca esteve a caçar em Alcoutim. Esta deslocação não foi divulgada, e esteve envolvida num grande secretismo, já que se tratou de uma visita particular e não de uma viagem oficial. “Houve bastante secretismo e a deslocação envolveu grandes medidas de segurança. Mas, por aqui, percebe-se a importância que a cinegética tem no país, em geral, e em Alcoutim, em particular”, destaca Osvaldo Gonçalves.

A Feira da Perdiz “é uma forma de acolher toda esta atividade e de ajudar todos os empresários, que se dedicam à exploração da caça no concelho, a mostrar a qualidade dos nossos terrenos, do nosso território e a qualidade da nossa perdiz vermelha, que é o ex libris da atividade cinegética no concelho”, refere o autarca.

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“Tentamos sempre inovar de ano para ano, principalmente, através da criação de novos pretextos para atrair novos visitantes, nomeadamente na parte da gastronomia, da animação e de algumas exposições”, sublinha.

Além das atividades relacionadas com a caça, desde corridas de galgos a concursos de cães, passando por demonstrações de falcoaria e exposições de fauna viva, entre outras, a Feira da Perdiz deste ano volta a ter à disposição do visitante bancas de artesanato e várias tasquinhas onde pode ser saboreado o melhor da gastronomia serra, com destaque para os pratos à base de caça (mas também doces regionais). Outro dos destaques volta a ser a animação musical. O certame inclui, ainda, diversos ‘stands’, a maioria de produtos relacionados com a caça, bem como colóquios e atividades desportivas.

A organização recorda que “a tradição da caça em Portugal remonta muito atrás no tempo”, mas “começou a tornar-se cada vez mais comum e elegante no final do século XIX”, sendo “um dos desportos mais genuinamente praticados na Península Ibérica e com grande expressão no município de Alcoutim, onde contribui para a dinamização e animação” do município.

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