Governo diz que está a recuperar investidores perdidos

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Regresso do Estado às emissões a 10 anos colocou 3000 milhões de euros, que vencem em 2024, à taxa de 5,669%. Só 14% das ordens vieram de Portugal.

A emissão de dívida a 10 anos fechou com a colocação de 3000 milhões de euros à uma taxa de juro (yield) de 5,669%. Os resultados foram divulgados ontem, em conferência de imprensa pela secretária de Estado do Tesouro, Maria Luis Albuquerque, e por João Moreira Rato, presidente da Agência de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP).

A procura total ultrapassou 10 mil milhões de euros, com a maior parte das ordens (86%) a virem do exterior. A maior fatia dos clientes veio do Reino Unido, com 27% do total, seguido dos EUA (16%) e França (10%). A emissão foi realizada por um sindicato bancário constituido por seis instituições: Caixa Banco de Investimento, Goldman Sachs, Crédit Agricole, Citigroup, HSBC e Société Générale.

Moreira Rato explicou que houve um alargamento da base de investidores, quer na sua tipologia, quer em termos geográficos. Bancos centrais ficaram com 5% e seguradoras e fundos de pensões com 12%. Ao mesmo tempo, houve uma redução do peso dos hedge funds dos 20% registados na emissão de janeiro para 7%.

Trata-se da abertura de uma nova série de Obrigações do Tesouro, com vencimento em fevereiro de 2024 e uma taxa de cupão (juro que é pago) de 5,65%. Até agora, o Estado não tinha qualquer dívida para amortizar em 2024, um dos primeiros anos para onde é possível ‘empurrar’ os empréstimos europeus no âmbito da extensão das maturidades.

Em breve, o IGCP irá apresentar uma estratégia de financiamento para os próximos meses. Questionados sobre se esta operação qualifica para o programa de compra de dívida do Banco Central Europeu – o OMT -, os dois responsáveis não responderam diretamente mas destacaram a evolução positiva conseguida nesta emissão. “Estamos de facto de regresso aos mercados”, disse Maria Luis Albuquerque. “Estamos a voltar a uma base de investidores com quem se tinha perdido o contacto”, acrescentou Moreira Rato.

O BCE, contactado pelo Expresso, não comentou a questão do OMT e limitou-se a destacar o sucesso da operação como um sinal de confiança dos investidores no esforço que Portugal está a fazer.

Água na fervura

As agências de rating reagiram rapidamente às primeiras notícias, ainda antes dos resultados finais, mas, apesar de considerarem a colocação um sucesso, não deixaram de colocar alguma água na fervura. A Moody´s disse ser uma boa notícia, ao mesmo tempo que sublinhou que “a procura por dívida a 10 anos não significa que Portugal já goza de acesso pleno aos mercados”. Já a Fitch, em paralelo com o reconhecimento de que a operação foi “positiva”, lembrou que Portugal tem ainda um importante caminho pela frente, nomeadamente a redução de despesa.

A troika aterrou esta semana em Lisboa para avaliar as novas medidas apresentadas por Passos Coelho na semana passada, em particular as que têm como finalidade tapar o ‘buraco’ aberto com o acórdão do Tribunal Constitucional. Só quando houver luz verde dos homens no terreno é que será libertada a nova tranche e também poderão ser aprovadas as novas metas orçamentais e a extensão das maturidades dos empréstimos europeus.

João Silvestre (Rede Expresso)

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