IAPMEI distingue oitenta empresas de Loulé

“Este é o reconhecimento dos melhores entre os bons daqueles que são verdadeiramente a mola real e o coração da atividade económica do nosso concelho”, referiu o presidente da Câmara de Loulé, Vítor Aleixo, durante a cerimónia realizada na passada sexta-feira, de distinção de cerca de 80 empresas do concelho de Loulé com o estatuto PME Líder/ PME Excelência, uma iniciativa lançada pelo IAPMEI em 2008.
Como explicou Carolina Travassos, a atribuição deste estatuto destina-se a empresas que, pelas suas qualidades de desempenho e perfil de risco, se posicionem como motor da economia nacional nos vários sectores de atividade enquadráveis, com Certificação PME válida, prosseguindo estratégias de crescimento e liderança competitiva. Uma maior notoriedade e melhores condições de financiamento sãs as principais vantagens da atribuição deste estatuto às empresas.
No contexto regional, as PME Líder do concelho de Loulé representam 19% na região, enquanto que as PME Excelência correspondem a 22% do total do Algarve. No que diz respeito aos setores, destaque para o comércio (44%) e turismo (36,9%). A grande maioria das empresas distinguidas são pequenas empresas (77%), enquanto que 17% são médias empresas e apenas 6% correspondem a microempresas.
Segundo dados apresentados por João Rodrigues, outro representante do IAPMEI, numa análise ao tecido empresarial de Loulé, este concelho destaca-se claramente no contexto dos restantes municípios algarvios com o maior número de concentração de empresas. Em 2017, estavam aqui instaladas 9139 empresas individuais e 3843 sociedades. No que toca aos setores representados, alojamento, restauração e similares representam 18%, atividades administrativas e dos serviços de apoios 15%, comércio por grosso e a retalho 15%, construção 10%, agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca 10% e atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares 7%.

No que toca ao volume de negócios, e também de acordo com dados de 2017, o tecido empresarial gerou 1.697 milhões de euros correspondentes a 85,9% do valor de negócios total do concelho. Em termos da taxa média de variação anual entre 2010 e 2017, verificou-se um crescimento de 2,5% do volume de negócio das empresas no Algarve, enquanto que em Loulé esse aumento foi mais significativo: 2,7%. Também em relação ao valor acrescentado bruto, a taxa média de variação anual dos últimos do concelho é superior: 3,9% no Algarve e 4,4% em Loulé.
Em suma, a elevada atratividade do concelho de Loulé, no contexto regional, está bem expressa no maior número de empresas sedeadas no concelho, evidenciando um maior dinamismo empresarial do que a média da região.
A produtividade média do trabalho das empresas do concelho de Loulé (17,611,1€) é superior à média regional (+1,8%), mas corresponde apenas a 74% da média nacional, com exceção das atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas, atividades imobiliárias e atividades captação, tratamento e distribuição de água, saneamento, gestão de resíduos.
Segundo o presidente da Autarquia, “o país está a atravessar um bom momento ao nível da atividade económica e o concelho de Loulé não é exceção a essa boa regra”. No entanto, apesar dessa pujança, Vítor Aleixo acredita existirem dois fatores que constituem “bloqueios” à atividade económica: a escassez de mão-de-obra e a sobrelotação do parque habitacional do concelho. “Ainda que as empresas queiram contratar pessoas, têm o problema de onde alojá-los”, considerou, referindo que, na continuidade da nova geração de políticas para o setor encetadas pelo Governo há cerca de um ano, a Autarquia de Loulé aprovou já a Estratégia Local de Habitação para 2020/30, que passará pela implementação de “projetos concretos para resolver o problema da habitação a cerca de 1400 famílias”. Nesse sentido, numa altura em que já existem lotes infraestruturados para esse efeito, será celebrado um protocolo com o IHRU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana para levar por diante este intento.
O autarca realçou ainda as medidas tomadas pelo executivo ao nível da fiscalidade que tornaram Loulé no concelho com “a menor carga fiscal do país”, e que têm sido determinantes para a atratividade das empresas, nomeadamente a redução do IMI, a não cobrança da derrama ou o facto de o município ter prescindido de uma receita de 5% do valor do IRS cobrado às famílias.
Relativamente aos investimentos futuros, seja no setor público ou privado – e que irão, de certo, trazer ainda maior dinamismo ao concelho, Vítor Aleixo falou de dois projetos estruturantes que poderão contribuir para acabar com a “monocultura o turismo”. Em primeiro lugar, o ABC – Algarve Biomedical Center, um investimento de 16 milhões de euros em dois edifícios (Loulé e Vilamoura) nas áreas da investigação científica nas biociências complementares à i