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Inglês financia construção do maior refúgio do país para animais

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Vai nascer em Loulé e São Brás de Alportel. Primeira fase já começou e estará concluída em outubro. Responsáveis falam da necessidade de “mudar mentalidades” e de encontrar apoios para que o projeto tenha continuidade no futuro

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A nova associação Animal Rescue Algarve (ARA), criada recentemente, tem em mãos a construção do maior refúgio e santuário do país destinado a animais abandonados. O objetivo é construir três infraestruturas na zona central do Algarve, mais propriamente nos concelhos de Loulé e São Brás de Alportel, com capacidade para receber 600 animais abandonados e, posteriormente, promover a sua adoção.

As obras já começaram e grande parte do investimento é financiado por Sidney Richardson, cidadão inglês, natural de Essex, que está radicado na região há 25 anos. A primeira fase do projeto chama-se “Cabanita” e deverá estar concluída no próximo mês de outubro.

Sidney Richardson já tinha decidido repartir a sua riqueza, que amealhou ao longo da vida nos ramos do imobiliário e seguros, pela sua família e por uma instituição de caridade. Mas a decisão de ajudar os animais abandonados começou a ganhar forma há cerca de 12 anos, numa altura em que já estava no Algarve, quando adotou uma cadela numa associação local, um animal que, conta, se tornou na sua melhor amiga e lhe mudou a vida.

“Este episódio e o facto de não existirem respostas para a problemática dos animais abandonados neste país, e em específico no Algarve, onde a responsabilidade recai totalmente sobre pequenas associações de animais geridas com escassos recursos, fez com que me apercebesse que este era o caminho a tomar”, explica Sidney Richardson.

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O refúgio para animais transformou-se, assim, no grande projeto de vida de Sidney Richardson. “Decidi então, em vez de deixar um testamento com indicações, aplicar o dinheiro ainda em vida e assegurar-me de que o projeto é realmente construído e colocado em ação”, sublinha.

“Tem de haver uma resposta”

As obras da primeira fase prosseguem a bom ritmo e a ideia é avançar brevemente com as segunda e terceira fases do projeto. “Já identificámos mais dois locais, que estão agora sob apreciação. Neste momento, a associação está em conversações finais com os municípios de São Brás de Alportel e Loulé, para duas possíveis parcerias. Estamos prestes a assinar protocolos e os trabalhos começarão a muito curto prazo”, explica Sue Sykes, atual gestora do santuário.

A mesma responsável revela que, quando estiverem concluídas, as infraestruturas “deverão empregar cerca de 25 trabalhadores, terão vigilância 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, e funcionários de forma permanente no local”.

Numa região onde se estima que existam cerca de 10 mil animais abandonados, Sue Sykes defende que “tem de haver uma resposta para este problema” e explica que a ARA surgiu, precisamente, com esse objetivo: “A nossa missão é ajudar os animais abandonados, doentes, maltratados e providenciar assistência veterinária, esterilização, socialização, treino e novos lares junto de famílias definitivas”.

Espaço “moderno, confortável e amigo do ambiente”

Sue Sykes garante que uma das grandes preocupações da associação ARA é “tratar os animais com dignidade, respeito e conforto”. Por isso, a construção do santuário “obedece a um ‘design’ moderno e ecológico. Desde o sistema de esgotos que reaproveita a água para outros trabalhos até às instalações altamente isoladas que alojam os animais, permitindo-lhes viver com o máximo de conforto e qualidade de vida”.

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Aquela responsável revela, ainda, que as instalações incluirão “espaços como uma receção, com zona de espera e um pequeno campo de treinos equipado com materiais, que irão proporcionar a interação entre pessoas e cães”, bem como “um departamento veterinário com sala de operações e recobro”, “áreas para cachorros, adultos e seniores”, “uma zona de quarentena”, “instalações confortáveis equipadas para receber voluntários locais, nacionais e internacionais” e “áreas para alojar felinos”.

Faltam apoios para manter o projeto

Com o financiamento garantido para a construção, a ARA precisa agora de apoios para manter o refúgio em funcionamento. A associação possui um ‘site’ na internet (animalrescuealgarve.com) onde os interessados, particulares ou empresas, podem informar-se sobre a forma de colaborar como mecenas, com donativos, em forma de voluntariado ou, simplesmente, adotar animais que estejam no refúgio.

“De nada serve financiar o desenvolvimento do santuário para 600 animais se o projeto não se mantiver autossustentável a longo prazo”, diz Sidney Richardson, explicando que “é preciso garantir que, no futuro, continuaremos a ter fundos de maneio para gerir a associação”.

Por isso, o principal financiador do projeto considera que os apoios são fundamentais e pede a ajuda de todos. “Responsabilizamo-nos por criar excelentes instalações, mas pedimos apoio aos municípios, ao público e a outras instituições. Queremos educar as pessoas e mudar mentalidades. Precisamos do contributo de todos para tornar este santuário sustentável e para sermos uma voz ativa pelos animais no Algarve”, apela.

Ao mesmo tempo, garante: “Estamos prontos para fazer a diferença e tornarmo-nos numa referência na Europa, pela qualidade das nossas instalações, boas práticas e pela dignidade com que tratamos os nossos animais”.

“Temos recebido inúmeros contactos de voluntários, de todo o mundo, interessados em ajudar. Isto é algo que nos agrada bastante. Para eles, providenciamos alojamento e comida em troca da ajuda diária em diversas tarefas”, revela Sue Sykes.

A ideia é também a de colaborar com outras associações da região. “Sabemos que a ARA não representar a solução final para todos os animais abandonados do Algarve. Por isso, o trabalho nunca deverá recair apenas sob uma associação. Reconhecemos e valorizamos o trabalho crucial que outras associações estão a fazer neste momento, com parcos recursos. Queremos trabalhar em conjunto, pois este é um trabalho que deve ser feito em equipa”, considera a gestora do refúgio.

“Além de providenciar lares para os animais abandonados, a intenção é também informar a população local da grande necessidade de esterilizar os animais. É difícil mudar a mentalidade das gerações mais antigas, por isso queremos apostar, sobretudo, na educação das novas gerações”, acrescenta Sue Sykes.

(Reportagem publicada na edição impressa e semanal do Jornal do Algarve de 05/07/2018)

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