Janeiras e charolas ainda são tradição forte no Algarve

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Com o início do novo ano, os encontros, festivais e atuações soltas acontecem um pouco por toda a região. O Jornal do Algarve explica-lhe a tradição e diz-lhe onde pode ver o ouvir estes espetáculos

DOMINGOS VIEGAS

A tradição das charolas e das janeiras, forma antiga de comemorar o Ano Novo e o Dia de Reis cantando músicas tradionais alusivas à época, continua bem viva no Algarve. Nos primeiros dias de janeiro ecoam versos em louvor ao “Deus Menino”, traduzidos em sentimentos de paz e fraternidade e votos de um novo ano melhor do que o anterior.

Faro, principalmente as freguesias de Montenegro, Conceição, Estoi e Santa Bárbara de Nexe, é o município com maior concentração de grupos. Os ensaios começam a ser mais intensivos, normalmente, a partir do mês de novembro para que as vozes e os instrumentos estejam preparados para os encontros e festivais que decorrem um pouco por toda a região.

O concelho de Faro é conhecido pelo número de grupos, mas há muitos mais um pouco por todo o Algarve distribuídos por vários municípios. As atuações em teatros e noutras salas de espetáculos, e até ao ar livre, repetem-se um pouco por toda a região, desde o município de Tavira ao de Lagos, passando por Olhão, São Brás de Alportel, Faro, Loulé, Silves, Portimão, entre outros.

Apesar do tipo de instrumentos, repertório e outros elementos variar, há três características que são comuns a todos os grupos de charolas: os estandartes, que indicam o nome da charola e do clube ou associação a que pertence; a “caixa do menino” (charola), onde se transporta simbolicamente o “Menino Jesus” e se mantém na frente do grupo até terminar o “canto velho”, passando a circular entre a assistência, para a recolha de donativos, quando começam as “vivas”; e o apito do principiador (ou começador), ou seja, da pessoa que dirige a actuação da charola.

Em relação aos instrumentos musicais, o acordeão, as castanholas e os pandeiros são elementos comuns a todas as charolas. Depois, cada grupo acrescenta outros instrumentos, entre os quais ferrinhos, saxofone, clarinete, trompete, violas, banjos e, nalguns casos, violinos.

Onde ver e ouvir?

Os espetáculos decorrem um pouco por todo o Algarve, em terras com maior ou menor tradição charoleira. Um dos exemplos é a localidade da Bordeira (Faro), uma das que tem mais tradição e onde se “respira” as charolas em cada canto da aldeia. Entre os dias 01 e 06 de janeiro, a sede da Sociedade Recreativa Bordeirense apresenta mais uma edição do seu encontro de charolas, com atuações a partir das 15h00. O evento é organizado pela Comissão Bordeirense de Charolas da Sociedade Recreativa Bordeirense.

Ainda no concelho de Faro, o Teatro das Figuras (teatro municipal) recebe, no próximo dia 07 de janeiro, a 37.ª edição do Encontro de Charolas da Cidade de Faro, cumprindo-se assim, mais uma vez, esta tradição associada aos festejos de Ano Novo. Cada um dos seis grupos participantes atuará durante 30 minutos, dando também espaço ao despique e à improvisação. O espectáculo, com duração aproximada de seis horas, terá início às 14h30 e a entrada é livre, mas sujeita à lotação da sala.

Como manda a tradição, a quadra natalícia encerra em São Brás de Alportel na noite do Dia de Reis (06 de janeiro), com a 34.ª edição do Encontro de Charolas, no Cineteatro São Brás, pelas 21h00.

No mesmo dia, 6 de janeiro, a partir das 21h00, a Alameda da Praça da República, em Portimão, vai ser palco da quarta edição do “Cantar das Janeiras” com seis grupos de cantares oriundos do concelho de Portimão e de outros municípios próximos. Trata-se de mais uma oportunidade para ouvir, cantar e celebrar o Cântico das Janeiras e dos Reis num ambiente de boa disposição e alegria. O serão terminará com o sabor a bolo-rei e a jeropiga, tal como a tradição dita, ficando assim registado um momento festivo e de excelência oferecido pelos cantadores.

No dia 07 de janeiro, a partir das 15h00, o Cineteatro António Pinheiro, em Tavira, recebe mais uma edição do Festival de Charolas “Cidade de Tavira”, outro dos eventos charoleiros com mais tradição na região.

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