OPINIÃO

JOÃO LEAL

Tão perto e tão distantes

Mais do que uma barreira natural separatista, o Guadiana (que o sempre lembrado José  Barão nos legou esse gesto tão prenhe de significado de percorrer desde o seu nascimento num aprazível local a 1700 metros na Lagoa da Ruidera, na província espanhola de alicante até à foz, na Terra Mãe da pombalina Vila Real de Santo António) tem que constituir, mormente nestes tempos de crise global, o “Rio Jordão” de uma cooperação multirregional e de lançamento de iniciativas e realizações que possam ter impacto à escala universal, como sucedeu nos séculos XV e XVI.
Vem isto a propósito do desconhecimento existente entre os povos vizinhos e amigos, algarvios e andaluzes, por vezes unidos por secular laços familiares e tantos outros e que a Ponte Internacional, com tantos anos de atraso, veio concretizar no seu betão e na funcionalidade, desde o ano de 1992, a quando da Exposição Universal de Sevilha, na assinalada comemorações do V Centenário do Descobrimento das Américas.
Folheamos, o que com frequência acontece, de modo próprio graças à amizade do jornalista onubense e delegado de “Jornal do Algarve” em Huelva, Angel Custódio Rebollo, grande amigo do Algarve, que tanto tem lutado em prol da aproximação das duas províncias, qualquer jornal da Comunidade Autonómica da Andaluzia e não descortinamos uma única linha sobre o Algarve, mesmo considerando o que, com mais assiduidade sucede, nos diários ou semanários da vizinha e fronteiriça província de Huelva.
O mesmo ou quase o mesmo, salvo raras excepções (casos do Jornal do Baixo Guadiana ou do Algarve Press) com a região onubense, mesmo considerando aquelas urbes que mais perto nos estão (Ayamonte, Lepe, Cartaya, Gibraleón, Huelva, San Lúcar del Guadiana, Isla Cristina, etc).
Nos dias em que redigimos este escrito decorre na vizinha capital Huelva (a Onuba romana, em sintonia com a algarvia Ossónoba, mas diversificações da “foz do rio” e do “tesouro do rio”) o famoso torneio futebolístico “veraniego” “Troféo Colombino”, que, ao invés do que ora sucede, já contou com a participação de cotadas equipas portuguesas e sabemos do evento apenas pela “guerra” havida entre Benfica e Porto em torno da transferência do “merengue” Sávio (Atl. de Madrid).
Outro tanto, se não muito menos ou nada, na imprensa andaluza e no que se refere ao já hoje relevante “Torneio do Guadiana” que o querer desse guarda-redes de referência que foi João Peres vai, anualmente, com querer, valor e determinação, organizando.
Há dias tivemos o grato ensejo de ler as oportunas apreciações do Presidente da Câmara Municipal de Portimão, Manuel António da Luz, a propósito da forte presença de espanhóis no movimentado “Festival da Sardinha”, que decorreu uma vez mais com assinalado êxito na capital bar-laventina, e da aposta nos turistas do país vizinho como um “potencial maior de visitantes”.
Este é o caminho certo e seguro, a seguir com determinação, porque importa saber o que se passa de um e de outro lado do Guadiana, num desafio a esse secular princípio de “espaldas voltadas” (de costas viradas) que a nada conduz.
Que promoção se faz, por exemplo, das “Festas das Angústias” ou da “Feira Agrícola de Cartaya”, para não citar um rol imenso, aqui pela algarvia terra?
Que promoção se faz, na província de Huelva, para não ir mais além, dos múltiplos eventos que durante o Verão acontecem no Algarve ou naqueles que se avizinham? Com dois clubes na I Divisão, já alguém pensou promover a presença do Benfica, do Porto ou do Sporting, para só referir os mais conhecidos, nas sua cômpitas contra o Olhanense ou o Portimonense?
Quando, nos anos 80 do século passado, estivemos ligados à gestão do então PIDR (Plano Integrado de Desenvolvimento Regional) do Baixo Guadiana, bem tentámos, em vão, incrementar este intercâmbio noticioso, estando os responsáveis da gestão dos Fundos Comunitários mais vocacionados e sensiilizados para a “concretização” dos planos e projectos de outras áreas.
Continuamos, com exemplos provados e comprovados, que importa derrubar a barreira existente do desconhecimento de factos, eventos e ocorrências que têm lugar no Algarve e na Andaluzia. Até para incrementar o comprovadamente importante “mercado turístico de proximidade”.

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