JOÃO NEVES

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Colaboradora. Designer.

Algarve em crise profunda

Em Agosto de 2008 o desemprego começou a aumentar no Algarve. Desde aí nunca mais pa-rou de crescer e ameaça tomar dimensões assustadoras, com todos os problemas sociais que dai advirão.


Comecemos por Agosto de 2008. Os desempregados inscritos no final do mês eram 8.291, tendo aumentado 0,9% em relação a Agosto de 2007 (dados IEFP).


Segundo os últimos dados  disponíveis (Outubro de 2010) os desempregados na região eram 23.624. Em Outubro de 2007 eram 10.552. Cresceu 124%.


Em Agosto de 2007, 86,2% (7.077) dos desempregados inscritos no fim tinham direito a prestações de desemprego.

Em Outubro de 2010 o valor diminuiu para 62,6% (apesar de os beneficiários terem aumentado para 14.777).


Os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI) eram 8.518 em Agosto de 2007 e passaram a 13.221 em Outubro/2010.


Certo que apenas se tratam de números, muitos números. Mas, o que representam é uma região com o tecido económico em estado débil e com uma crise social pronta a rebentar à mínima faísca.


Analisemos apenas o ano 2010. A partir de Agosto o número de desempregados começou a aumentar de forma expressiva e os beneficiários de prestações de desemprego diminuíram ligeiramente. Aumentaram o número de pessoas desempregadas e sem qualquer protecção social no que concerne a prestações de desemprego. Em Outubro/2010 eram 8.847.


Com o fim de muitas prestações de desemprego, devido a seu esgotamento por já termos passado mais de 2 anos sobre o início desta última crise, a situação tenderá a agudizar-se.


Já há muita fome no Algarve. As diversas entidades que se ocupam desta delicada questão não têm mãos a medir. Já não são apenas os pobres “clássicos”. Agora são pessoas que caíram recentemente no desemprego ou mesmo empregadas, e que não conseguem pagar os créditos de consumos passados.


Com um Governo que retirou de campo uma boa parte das “munições” da Iniciativa Emprego 2010, destinada exactamente ao combate do desemprego, resta-nos procurar soluções na região. Não foi criada qualquer medida específica para o Algarve, apesar de ser a região mais afectada pelo desemprego.


Os responsáveis regionais têm que, rapidamente, acertar agulhas e definir o emprego como questão-chave para a região. Questões como a prevenção rodoviária e a protecção civil são muito importantes, mas não podem ser prioridade num Al-garve que caminha para um Inverno com mais de 30.000 desempregados e uma taxa de desemprego perto dos 15%!


Importa que cada entidade da administração pública des-concentrada verifique bem as suas gavetas e dê andamento a todos os processos que possam criar riqueza e empregos. E que as Câmaras Municipais façam o mesmo. E, já que pedir não custa e a quadra até o proporciona, que a administração pública e o poder local cooperem para resolver imbróglios, ultrapassando obstáculos ao investimento.


 Se não forem as entidades algarvias e os algarvios a tomarem o destino nas suas mãos, a crise será ainda mais destrutiva. Com ou sem eleições legislativas em 2011, todos os que ocupam lugares de responsabilidade têm a obrigação de total empenho nesta questão. Da Dir. Reg. Cultura à CCDR Algarve, passando pelo Governo Civil ou pela ARH.


Vamos ficar atentos!
Boas Festas!

* Economista
http://www.vialgarve.org
[email protected]
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