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Autarquias usam herbicida cancerígeno, denuncia João Vasconcelos

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O deputado João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda e eleito pelo Algarve, questionou todas as autarquias do país sobre o uso do herbicida glifosato e, apesar dos riscos para a saúde pública, as quatro câmaras municipais algarvias que já responderam usam aquele produto considerado cancerígeno.

João Vasconcelos destaca que “é imperioso” promover “espaços públicos sem glifosato e livres de pesticidas”, por forma a “proteger a saúde pública e o ecossistema”.

Portimão, com uma média de 1800 litros/ano, Silves (600l/ano), Castro Marim (350l/ano) e São Brás de Alportel (60l/ano), são as autarquias algarvias que já responderam e usam o pesticida à base de glifosato.

No documento endereçado à autarquias, o deputado do Bloco lembra que a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (AIIC) da Organização Mundial de Saúde declarou o glifosato como “carcinogéneo provável para o ser humano”, tendo a investigação da referida agência identificado uma relação entre a exposição ao herbicida e o linfoma Não-Hodgkin.

“Este tipo de cancro de sangue é dos que mais se regista em Portugal, com cerca de 1700 novos caos por ano”, assinala o documento endereçado às autarquias.

O glifosato é o herbicida mais usado no país, sendo comercializado por empresas como a Monsanto, Dow, Bayer e Syngenta. A sua venda é livre em estabelecimentos comerciais e o seu uso duplicou na última década em Portugal, tendo sido aplicadas para fins agricolas mais 1400 toneladas só em 2012.

A par da sua aplicação na agricultura, o glifosato é também utilizado pelos serviços de autarquias nos espaços urbanos.

A Quercus e a “Plataforma Transgénicos Fora”, alertando para os riscos ambientais e para a saúde pública, lançaram um apelo público para que as autarquias portuguesas deixem de usar o glifosato nos espaços públicos.

Por sua vez, o Bloco de Esquerda apresentou, em 2015, um projeto de resolução no sentido de proibir o uso do glifosato, mas a proposta foi recusada com os votos contra do PSD e do CDS-PP, a abstenção do PS e PCP e os votos favoráveis do Bloco e do PEV.

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