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Jorge Mealha apresenta exposição retrospectiva com cerca de 60 peças

O ceramista Jorge Mealha apresenta pela primeira vez, em Lagos, até outubro, uma exposição retrospetiva dos seus 50 anos de trabalho, onde cerca de 60 peças foram escolhidas para exemplificar uma carreira com mais de mil obras.

Apesar de se apresentar como uma retrospetiva do trabalho de Jorge Mealha, a exposição dedicada ao autor não tem como fio condutor as mais de cinco décadas de produção artística, mas sim os temas que sempre estiveram presentes na sua arte.

Na exposição “Jorge Mealha, 1960 – 2010” é possível, assim, encontrar barcas, mulheres, animais, vasos ou geometrias produzidas tanto no início da carreira do autor, como nos últimos anos.

“São temas que me acompanharam sempre, nos diferentes anos do meu trabalho”, confessou à agência Lusa o ceramista, que normalmente trabalha várias peças, destes diferentes temas, ao mesmo tempo.

Assim uma barca “viajada” e “com história” surge lado a lado com peças do século XXI. Esculpida por Jorge Mealha na década de 1970, esta peça já viajou pelo mundo a divulgar a cerâmica portuguesa: “Esteve em vários pontos da Europa e da Ásia, sempre em exposições de autores portugueses e está ali ao lado de obras mais recentes”, contou o autor.

Nos mais de cinquenta anos de carreira, o ceramista manteve-se fiel a um material, já que a maioria das peças expostas foram feitas em grés.

“O material que uso é praticamente sempre o grés. Gosto da cor, da textura, é da mesma resistência da porcelana e tem de ser trabalhado a alta temperatura. Eu gosto de trabalhar com altas temperaturas”, explicou o autor.

A única exceção ao grés na exposição do Centro Cultural de Lagos é a reprodução de uma gravura com cerca de cinco metros datada da década de 1960.

“É a peça mais antiga. Foi a intervenção que fiz para um banco em Lourenço Marques [atual Maputo, capital de Moçambique, onde o autor nasceu e viveu]. A gravura tinha uns cinco ou seis metros, só que como ficou lá e os slides que trouxe estragaram-se, tivemos de fazer uma reprodução”, disse Jorge Mealha.

Depois de ter vivido mais de 40 anos em Moçambique e de se fixar no Algarve depois do 25 de abril de 1974, o ceramista é muitas vezes associado à arte africana, um “rótulo” que “não sente”, mas que compreende.

“Não me sinto um artista africano, já que aprendi pela mesma cartilha dos que estavam em Portugal. Mas como nasci e cresci lá houve muita coisa que absorvi e que posso passar mesmo que inconscientemente”, afirmou.

Apesar de ser uma retrospetiva do seu trabalho, Jorge Mealha assegura que “ainda tem muito para mostrar”.

“Sinto-me em condições de continuar a trabalhar. Nem penso em parar. Os dois últimos meses foram muito trabalhosos por causa da exposição. Agora vou começar outra vez. Não sei bem por onde, mas vou continuar”, afiançou.

A exposição “Jorge Mealha, 1960 – 2010” abriu ao público no Centro Cultural de Lagos no sábado e vai manter as portas abertas todas as tardes de terça a domingo, até 16 de outubro, com entrada gratuita.

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