Jovem faz mais de 200 quilómetros em cadeira de rodas como protesto

João Varela, um tetraplégico de 28 anos, residente em Faro, chegou ontem a Vila Real de Santo António, após ter percorrido mais de 200 quilómetros em dez dias na sua cadeira de rodas. O jovem conta ao JORNAL do ALGARVE que esta foi a forma que encontrou de reclamar “mais condições de segurança na EN125 e uma Via do Infante livre de portagens”, bem como “uma verdadeira rede de transportes públicos”

A primeira etapa do protesto começou em Odeceixe, no concelho de Aljezur, onde o jovem João Varela, acompanhado pelo seu assistente, Sérgio Santos, de bicicleta, cedo percebeu que a viagem de dez dias iria ser mais complicada do que pensava. “O plano inicial era fazer um total de 270 quilómetros, ligando Odeceixe ao farol do Cabo de São Vicente (Sagres) e, depois, fazer toda a EN125 até ao farol de Vila Real de Santo António. No entanto, a estrada entre Odeceixe e Sagres (60 quilómetros) é estreita, tem muitas curvas e não tem bermas de segurança. Por isso, fui forçado a fazer a maior parte do caminho numa carrinha para não correr riscos logo à partida”, contou ao JORNAL do ALGARVE o jovem de 28 anos, que nasceu e mora em Faro.

Apesar das várias “peripécias” que enfrentou ao longo dos dez dias de viagem – como partir a direção da cadeira de rodas devido ao mau piso do pavimento ou ter de circular no meio da via a 10 km/h (ou em passeios) devido à inexistência de bermas ou faixas de segurança –, João Varela terminou ontem (dia 9) o protesto, em Vila Real de Santo António, já depois do fecho desta edição. O nosso jornal falou com ele no dia anterior, quando se preparava para cumprir a penúltima jornada, entre Olhão e Tavira. João explicou que o objetivo desta ação é “alertar a população e os políticos para o imenso tráfego e a falta de condições de segurança da EN125, mesmo depois de concluídas as obras de requalificação (entre Vila do Bispo e Olhão)”.

João protesta igualmente contra as portagens na Via do Infante (A22), que considera serem “muito penalizadoras” para todos os algarvios. “O fim da cobrança na A22 é a única solução para diminuir o tráfego cada vez mais intenso que se sente nas estradas algarvias. Essa medida – que até já foi prometida muitas vezes pelos políticos – iria certamente melhorar a segurança e reduzir os acidentes no Algarve”, acentuou.

O grande problema da mobilidade no Algarve”

Além do “muito que ainda está por fazer” nas estradas algarvias, João Varela protesta também contra “a falta de uma verdadeira rede de transportes públicos” na região…

Leia a reportagem completa na edição em papel.

Nuno Couto

(Fotos: Movimento MO-Algarve)

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