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Jovens acampam em praça central de Istambul

Sob o lema “Tunes, Tahrir, Madrid e agora Istambul”, um grupo de jovens inicia hoje um acampamento/protesto num dos centros nevrálgicos da capital turca.

A cinco dias de eleições legislativas na Turquia, um movimento de jovens inicia hoje um acampamento de protesto de pelo menos dois dias na praça Taksim, um dos centros nevrálgicos de Istambul.

Sob o lema “Tunes, Tahrir, Madrid e agora Istambul” a plataforma “Gençler Meydana” (“jovens para a praça”) assume ser inspirada pelas revoltas no mundo árabe-muçulmano, como admitiu na segunda-feira à agência espanhola EFE Isil Kurt, um dos porta-vozes do movimento.

“Os jovens desempregados de Tunes saíram para as praças. No Egito, os jovens também saíram para as praças exigindo liberdade. Em Espanha os jovens também saíram para as praças contra um governo e uma oposição que os reprime. Agora chega a nossa vez. ‘Quem nos detém?'”, lê-se no manifesto da plataforma.

O acampamento de Istambul deve começar a ser erguido hoje ao meio-dia e manter-se até pelo menos sexta-feira, mas os organizadores já referiram que poderá continuar “caso seja decidido em assembleia”.

Sem envolvimento de partidos

Para o primeiro dia está prevista uma concentração de 70 pessoas no acampamento “mas esperamos que surja muito mais gente nos dias seguintes”, advogou Kurt.

Apesar de não haver envolvimento de qualquer partido político, Kurt explicou que diversos sindicatos e associações estudantis já manifestaram o seu apoio. Ao pronunciar-se sobre a ausência de autorização para acampar em plena praça Taksim, o ativista apenas referiu que “é verdade mas veremos o que vai acontecer”.

Os jovens turcos queixam-se do crescente desemprego, da ausência de oportunidades, e ainda dos recentes escândalos nos exames públicos, onde supostamente escolas próximas do governo terão fornecido previamente aos estudantes a chave dos resultados.

A “Gençler Meydana” também reivindica a abolição do Conselho de Educação Superior (YOK), uma instituição imposta durante a ditadura militar (1980-83) que regula o ensino universitário, e serviu para acabar com a autonomia das universidades.

JA/Rede Expresso
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