Justiça francesa aperta cerco a Christine Lagarde no caso Tapie

Os inspetores da brigada financeira suspeitam que Nicolas Sarkozy e Christine Lagarde agiram de forma concertada para favorecer Bernard Tapie, que tinha "evoluído" da esquerda para a direita
Os inspetores da brigada financeira suspeitam que Nicolas Sarkozy e Christine Lagarde agiram de forma concertada para favorecer Bernard Tapie, que tinha “evoluído” da esquerda para a direita

Ex-ministra francesa e atual diretora do FMI é suspeita de “cumplicidade de desvio de fundos”. Homem de confiança do ex-Presidente Nicolas Sarkozy diz ter sido ela que tomou as decisões que renderam 403 milhões de euros a Bernard Tapie

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Depois de buscas da brigada financeira francesa, nos últimos dias, aos domicílios e escritórios do polémico homem de negócios Bernard Tapie, e de Claude Guéant, ex-ministro francês do Interior e ex-secretário geral do Palácio do Eliseu, este descartou qualquer responsabilidade do ex-Presidente Nicolas Sarkozy na resolução de um litígio de Tapie com o banco Crédit Lyonnais, que terminou, em 2008, com uma indemnização milionária a este último.

“O Eliseu estava a par do procedimento que foi decidido e considerou-o uma boa medida, mas foi o Ministério das Finanças que decidiu recorrer a esse procedimento”, disse Claude Guéant, esta manhã, a uma rádio francesa. O homem de confiança de Sarkozy referia-se ao facto de o diferendo ter sido resolvido por uma “arbitragem privada” em prejuízo da via judicial, que estava então a revelar-se muito desfavorável ao empresário francês e antigo presidente do Olympique de Marselha.

A Justiça suspeita que Nicolas Sarkozy e Christine Lagarde , na época ministra da Economia e das Finanças, tenham intencionalmente favorecido Bernard Tapie, ex-ministro de um Governo socialista durante a presidência do falecido François Mitterrand e, depois, apoiante de Nicolas Sarkozy nas presidenciais de 2007 e 2012.

Tribunal de exceção instrui processo

Com as explicações de Guéant aperta-se o cerco a Christine Lagarde, que deverá ser convocada nas próximas semanas pelo Tribunal de Justiça da República, jurisdição de exceção composta por parlamentares e magistrados, que instrui o processo contra a diretora do FMI e que é o único tribunal com competência para julgar infrações cometidas por ministros franceses no exercício das suas funções.

O processo contra a agora diretora do FMI foi desencadeado em meados 2011, depois do procurador Jean-Louis Nadal o ter recomendado por considerar terem existido irregularidades na arbitragem favorável a Tapie. “A senhora ministra exerceu constantemente os seus poderes ministeriais para chegar a uma solução favorável a Bernard Tapie, que a assembleia plenária do Tribunal de Cassação (Recurso) parecia considerar ter comprometido”, escreveu na época o procurador.

Com o procedimento escolhido por Lagarde, eventualmente apoiada por Nicolas Sarkozy, o diferendo de Bernard Tapie com o Crédit Lyonnais, que dizia respeito a um complicado negócio relacionado com a compra da empresa Adidas pelo empresário, no inicio de 1990, terminou com uma indemnização de 403 milhões de euros (incluindo juros de 118 milhões) a este último. Na altura da compra da Adidas, o Crédit Lyonnais era um banco público e Tapie foi apoiado pelos socialistas, que então estavam no poder em Paris.

Sarkozy também suspeito

Christine Lagarde, que é suspeita de “cumplicidade de desvio de fundos públicos”, é igualmente acusada por juristas e adversários políticos de ter prejudicado o Estado por não ter deixado prosseguir a via judicial normal para resolver aquele litígio financeiro.

As buscas que esta semana visaram Claude Guéant têm a ver com o facto de Bernard Tapie ter tido diversas reuniões com Nicolas Sarkozy na época da “arbitragem privada”. Os inspetores da brigada financeira suspeitam que Largarde e o antigo Presidente francês agiram de forma concertada neste controverso caso, com o objetivo de favorecer o polémico homem de negócios que tinha “evoluído” da esquerda para a direita.

A atual diretora do FMI indicou há dias estar “à disposição da Justiça para responder no momento oportuno” sobre um caso no qual garante não ter sido cometida qualquer ilegalidade.

Daniel Ribeiro (Rede Expresso)

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