Lagoa entrega o primeiro Prémio Maria Barroso

A entrega da primeira edição do prémio Maria Barroso à galardoada Maria do Céu Cunha Rêgo, decorreu na bela sala ao ar livre em que se tornou o claustro Convento de S. José, ao fim da tarde de 27 de março.

O presidente da Câmara de Lagoa, responsável pela criação deste prémio, sublinhou nesta ocasião que cumpre assim um dos seus objetivos: “marcar o compromisso deste Município com a Promoção da Igualdade de Género e da Cidadania”.

De recordar que esta foi uma das prioridades definidas por Francisco Martins, no inicio do atual mandato autárquico. “A criação de um pelouro para esta área da intervenção municipal, sob a responsabilidade direta do presidente, foi um primeiro passo. A instituição do Prémio Maria Barroso, em parceria com o prestigiado grupo Vila Vita, é mais um sinal do nosso envolvimento com esta causa” explicou o autarca de Lagoa.

O papel dos municípios na área da promoção de mais igualdade e cidadania foi, de seguida, valorizado pela Secretária de Estado, Rosa Monteiro, que apontou com elogios o percurso de Lagoa do Algarve.

No seu discurso, a governante destacou os “protocolos de territorialização da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica, a área da formação de públicos estratégicos, ou o programa intersectorial centrado na promoção da conciliação da vida profissional, pessoal e familiar, chamado 3 em Linha”, como áreas em que é fundamental a articulação entre as políticas nacionais e municipais.

Por seu lado, a premiada Maria do Céu Cunha Rego, sublinhou na sua intervenção de agradecimento, que persiste em Portugal uma lógica de subordinação das mulheres aos homens, e que “enquanto se mantiverem, socialmente, os preconceitos de género fundados nos papéis estereotipados de homens e mulheres, por mais que muita gente os pretenda legitimar ou manter através da tradição, o Estado está juridicamente obrigado a tomar medidas para os eliminar”.

Maria do Céu Cunha Rêgo reforçou ainda que é preciso libertar “os homens do peso social que carregam sobre si, ao terem de evidenciar a apropriação das mulheres para validar a sua masculinidade”.

A primeira distinguida com o Prémio Maria Barroso afirmou que “Faz falta o trabalho dos homens na definição das políticas e das práticas para a igualdade de género”, e que se deve a essa ausência, algum resultado menos consistente que reconheceu existir, mesmo após décadas de políticas nesta área.

João Soares, em representação da família de Maria Barroso, considerou “justíssima” a atribuição do primeiro Prémio que transporta o nome de sua mãe. E aproveitou para lembrar que Maria Barroso refutava repetidamente a ideia de que atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher, dizendo antes que “ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher, e vice-versa”.

Nesta sessão pública foram elencados os nomes de todos os candidatos ao prémio Maria Barroso 2018/19, tendo sido entregues símbolos de participação aos vários que marcaram presença na cerimónia. Os membros do júri deste prémio, o presidente da Assembleia Municipal, todo o executivo, os presidentes de Junta de freguesia e outros convidados estiveram entre os muitos participantes na cerimónia.

A apresentação da segunda edição do Prémio Maria Barroso, a atribuir bianualmente, deverá acontecer em 2020, após “pequenos melhoramentos ao normativo para reforçar o apelo à candidatura de pessoas individuais ou coletivas da sociedade civil”, adiantou Francisco Martins.

As interpretações da soprano Carla Pontes, acompanhada primeiro pela harpa e voz de Helena Madeira e depois pelo acordeão de Gonçalo Pescada, acrescentaram a este evento uma ambiência especial. Entre temas antigos e recentes, ouviu-se uma cantiga de amigo, uma canção de José Afonso, e “Maria de Buenos Aires” o tema com que se despediu.

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