Louçã acusa Sócrates de fazer política de “duas caras”

O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, acusou José Sócrates de praticar uma política de “duas caras” por defender a venda das ações da Portugal Telecom (PT) quando há duas semanas era contra.

“O que hoje José Sócrates veio mostrar foi que tem uma política de duas caras. Uma cara que diz que o Estado gera a sua autonomia e a outra cara que vende o interesse público”, declarou Francisco Louçã esta quarta feira, durante um comício em Albufeira, Algarve, onde participaram cerca de 100 pessoas, entre veraneantes, simpatizantes do partido e militantes.

Francisco Louçã declarou que uma “economia com duas caras é uma economia fraca” e que o “Estado não pode ter duas caras”.

Para o líder do BE, o “primeiro ministro é totalmente contraditório”. “Há duas semanas o Governo usou a golden share para dizer este negócio não se faz e agora vem dizer faz-se, porque a oferta já foi generosa”, recordou.

“Primeiro vem dizer que o Estado tem uma última palavra a dizer na PT, mas já não tem uma última palavra a dizer na Galp, não tem uma última palavra a dizer na EDP e não pode ter uma última palavra a dizer nas redes energéticas”, recordou o deputado, alegando que Sócrates quer vender essas empresas porque “dão lucro”.

Francisco Louçã frisou que é “contra a política de duas caras que o BE se opõe” e que o partido vai lutar por “coerência”, “justiça” e “igualdade”, com políticas socialistas.

A política de “duas caras” praticada pelo primeiro ministro foi a tónica de todo o discurso de Francisco Louça, que abordou essas duas faces também no caso do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“O primeiro ministro diz que o SNS não pode recuar, mas vai entregar o Hospital de Braga durante 30 anos ao grupo Mello, ou o Hospital de Loures à gestão do Banco Espírito Santo durante 30 anos”, exemplificou o deputado, acrescentando que Sócrates também quer vender os aeroportos nacionais.

“A Galp, a EDP, o SNS ou os aeroportos foram pagos por todos e devem ser de todos”, afirmou o deputado, referindo que o BE não tem “confiança nesta política de duas caras”.

Francisco Louçã alertou os presentes no comício que, em tempos de crise, “o abuso é pior” e recordou que recentemente se ficou a saber que Portugal tem “600 milionários” e que se registaram “mais lucros”, mas que não “pagaram impostos”.

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