Loulé: Casa cheia para ver Sérgio Godinho e a Orquestra Clássica do Sul

O Cine-Teatro Louletano encheu, no passado sábado, para o espetáculo inédito que juntou Sérgio Godinho ao agrupamento de música de câmara da Orquestra Clássica do Sul dirigido pelo maestro Rui Pinheiro para um concerto que ficará na história daquela sala de espetáculos.

Depois dos aclamados espetáculos com Blind Zero, Banda Filarmónica Portuguesa, Samuel Úria com Márcia, Tatanka com Ana Newton e o trio de Avishai Cohen com, desta vez foi Sérgio Godinho que aceitou o convite para um concerto muito especial em que voltou a surpreender reinventando o seu riquíssimo percurso musical, com especial ênfase para o último disco “Nação Valente”, publicado este ano.

Perante uma entusiástica sala esgotada, e acompanhado pela sua cúmplice banda OsAssessores bem como pelo inseparável pianista Filipe Raposo (autor dos arranjos para orquestra), Sérgio Godinho esteve duas horas em palco mostrando, com 73 anos, toda a sua vitalidade e versatilidade artísticas num generoso alinhamento com 22 temas, que incluiu novas canções, algumas já incontornáveis como “Grão da mesma mó”, mas que também revisitou diversos êxitos da sua carreira como “O velho samurai”, “Dias úteis”, “O elixir da eterna juventude”, “Liberdade” ou “Dancemos no mundo”, entre outros.

Alternando dinamicamente canções apenas com orquestra, piano e voz, com outras em que Os Assessores se juntaram aos demais músicos, e ainda outras apenas coma banda ou com Filipe Raposo (apenas voz e piano no tema “Fotos do fogo”), Sérgio Godinho demonstrou mais uma vez por que é um dos intérpretes mais multifacetados e inspiradores da suageração (e da música portuguesa das últimas décadas), estando a caminho de completar meio século de carreira em 2020.

Superiormente dirigido pelo maestro Rui Pinheiro, o agrupamento de música de câmara da Orquestra Clássica do Sul revelou elevada consistência, entrosamento/cumplicidade com os demais elementos em palco, vincado rigor e um notório entusiasmo, tendo Sérgio Godinho realçado a inegável qualidade do ensemble e o trabalho aturado de preparação técnica que o mesmo demonstrou. Essa feliz e criativa harmonização do enquadramento orquestral com a voz de Sérgio esteve especialmente patente em temas como “O Primeiro Dia”, “Endechas a Bárbara Escrava”, “Com um brilhozinho nos olhos”,”Deusa do Amor”, “Só neste país” ou “Grão da mesma mó”, os quais ganharam novos e renovados horizontes eleituras através deste fértil cruzamento de instrumentos esonoridades.

Para além de letras em torno do amor, da família, da guerra/migrações e da condição humana, não faltaram no concerto em Loulé temas intemporais focados na denúncia e sátira sociais, como “Liberdade”, “Bem-vindo Sr. Presidente” ou “Só neste país”, com novas roupagens em que a criatividade dos arranjos foi mais uma vez evidente.

A rematar a apoteótica noite, com o público em absoluta conexão com os artistas, dois encores, com as canções “A noite passada”, “Coro das Velhas”, “O primeiro dia” e “Grão da mesma mó”, num espetáculo que soube a pouco e soube a tanto, para parafrasear uma das letras mais emblemáticas de Sérgio Godinho.

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