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Loulé diz não ao desperdício de alimentos

O acordo de colaboração foi assinado pelo edil Vítor Aleixo e pelo presidente da Dariacordar, António Costa Pereira
O acordo de colaboração foi assinado pelo edil Vítor Aleixo e pelo presidente da Dariacordar, António Costa Pereira

Loulé é o primeiro município do país fora da Área Metropolitana de Lisboa a aderir ao Movimento Zero Desperdício, um projeto criado para aproveitar os excedentes alimentares e distribui-los pela população mais carenciada. O protocolo foi assinado na passada sexta-feira entre a autarquia louletana e a Dariacordar – Associação para a Recuperação do Desperdício.

Este projeto faz o aproveitamento dos excedentes alimentares, nomeadamente perecíveis e confecionados, que se encontram em condições de consumo, junto de entidades públicas ou privadas, entre as quais cadeias de supermercados, hotéis, escolas, hospitais ou refeitórios municipais.

“Toda a gente dizia que era proibido, que não se podia recuperar as refeições do dia, mas isso não fazia sentido porque havia refeições em perfeitas condições e pessoas a passar mal. Era preciso alterar a lei”, referiu António Costa Pereira, presidente da Dariacordar.

O Movimento Zero Desperdício foi criado em 2012, após a alteração da lei, começando por lançar o desafio aos municípios da área de Lisboa. Depois de Lisboa, Sintra e Cascais, agora é a vez de Loulé receber este projeto.

“Criámos um manual de réplica, com o apoio da Fundação Gulbenkian, onde estão os procedimentos a seguir. Queremos replicar e começámos a ter reuniões com outros municípios. O primeiro foi Loulé e juntos iremos fazer crescer esta atitude na região. Queremos mudar o ADN do cidadão”, referiu o mesmo responsável.

António Costa Pereira explicou que a Dariacordar pretende envolver também as universidades neste projeto, “não só ao nível das refeições, mas também na criação de estudos de monitorização dos resultados do movimento”. Neste sentido, vai ser lançado o desafio à Universidade do Algarve para elaboração de um estudo sobre o impacto do projeto no concelho de Loulé.

O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Vítor Aleixo, considerou que este protocolo “tem um valor social igual à inauguração de um equipamento de uma instituição de solidariedade social” e que “estão reunidas todas as condições para fazer deste objetivo algo de muito positivo”.

O autarca referiu ainda que as características do concelho de Loulé tornam-no “um bom ator neste campo”, dando como exemplos “a existência de uma rede de instituições que fazem da solidariedade social o seu objetivo diário”, uma “vasta população e extensão territorial”, os “recursos da autarquia vocacionados para os problemas que existem no terreno” e “muita gente necessitada desta ajuda”.

De acordo com Vítor Aleixo, o protocolo permitirá “estruturar e trazer uma estratégia à própria ação que já existe há muitos anos no concelho, em termos das políticas sociais ativas” e é “uma grande ferramenta para conseguirmos fazer bem e lutar pela dignidade do ser humano”.

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