COVID-19

Mais de 50 pessoas reclamaram apoio aos profissionais da cultura em Faro

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Mais de 50 profissionais da cultura manifestaram-se ontem em frente ao Teatro Lethes, em Faro, para exigir medidas urgentes de apoio ao setor, que continua praticamente parado, mesmo após a anunciada reabertura das salas de espetáculo.

Alguns manifestantes empunhavam cartazes onde podiam ler-se frases como “Queremos trabalhar” ou “Ó artista, toma lá 100 paus e cria”, tendo sido criada uma tribuna pública no cimo das escadarias daquele teatro, onde intervieram vários artistas.

Uma das primeiras intervenções foi a de Luís Vicente, da Companhia de Teatro do Algarve (ACTA), que frisou que, apesar de a sua companhia poder ser considerada “privilegiada”, por continuar a receber financiamento público, irá debater-se com o problema da limitação de lugares do público.

“A receção já abriu, mas a sala, quando abrir, vai estar limitada a 68 espetadores. É absolutamente inviável”, declarou o ator e diretor artístico da ACTA, responsável pela programação do Teatro Lethes.

Luís Vicente defendeu a existência de um estatuto profissional para os artistas, à semelhança de outros países, acusando os sucessivos governos de “negligenciarem” os problemas da classe, que é “produtiva” e trabalha “exaustivamente”.

Também João Mogo, músico da Orquestra do Algarve, sublinhou a situação de “desespero” em que se encontram os artistas e que deve “merecer a atenção do poder central”, que tem a obrigação de “ajudar todos e não só uma elite”. 

O diretor artístico do LAMA Teatro, João de Brito, avisou que a abertura das salas não significa que os artistas consigam voltar ao trabalho, referindo que há “dezenas de Câmaras que trabalham com fundos públicos e não estão a cumprir os seus compromissos”.

O ator e encenador alertou, ainda, para o facto de haver equipamentos culturais que estão a despedir trabalhadores precários, exigindo “medidas robustas” e uma “resposta de emergência para quem foi descartado e ficou sem nada”.

Entre os manifestantes que participaram no protesto estava Miguel Correia, músico de baile, que contou à agência Lusa que foi despedido da danceteria em que era gerente, depois do encerramento forçado na sequência da pandemia de COVID-19.

“Fomos os primeiros a deixar de trabalhar, porque encerraram bares, encerraram discotecas, bailes, danceterias e não nos dizem nada, ninguém emite licenças para trabalhar. Está a tornar-se desesperante”, lamenta.

Miguel Correia referiu que, apesar de a Segurança Social ter aprovado o seu pedido de subsídio de desemprego, “ainda não recebeu nada” e apontou o caso de alguns colegas que, em três meses, “receberam 90 euros” da Segurança Social.

“Houve algumas Câmaras, como a de Portimão e a de Lagos, que fizeram algumas iniciativas e deram trabalho a alguns músicos, mas o resto não se viu nada”, referiu, sublinhando que há “famílias inteiras sem um euro de rendimento”.

O protesto nacional “Parados. Nunca calados”, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos Cena-STE, decorreu igualmente em Lisboa e no Porto, numa altura em que passam três meses desde que a pandemia paralisou o setor.

No início de março, começaram a ser adiados ou cancelados espetáculos na sequência das medidas de contingência definidas pelas autoridades para tentar travar a propagação da COVID-19.

Segundo um inquérito promovido pelo CENA-STE, e cujos resultados foram anunciados no início de abril, 98% dos trabalhadores de espetáculos viram trabalhos cancelados, dos quais um terço foi por mais de 30 dias.

O inquérito, realizado já na segunda quinzena de março, no contexto de confinamento, em resposta à pandemia de COVID-19, indicava ainda que 85% dos trabalhadores questionados são independentes e não têm qualquer proteção laboral.

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