Mais e melhor cooperação entre Câmaras

A ideia que tenho é que, em geral, as diferentes câmaras do Algarve estão de costas voltadas. Fundamentalmente, colaboram em questões dois tipos de questões. Uma delas são questões prementes onde tem mesmo de ser. A outra é quando dinheiro do orçamento geral do estado Português a isso obriga. Ou seja, o dinheiro não é recebido enquanto duas ou mais câmaras não se colocam de acordo.

Posso estar errado. Mas se assim for, as diferentes câmaras são muito discretas na colaboração que fazem. Então, por opção ou simples esquecimento, não fazem publicidade dessa colaboração.
Não são só as câmaras que vivem de costas voltas. As próprias populações também estão, frequentemente, de costas voltadas para os municípios à volta de onde moram. Embora, a meu ver, menos do que as câmaras.

Um exemplo claro é a freguesia de Alte no município de Loulé – já morei em Alte e continuo a lá ir de vez enquanto. As pessoas de Alte, na sua maioria, gostam de pertencer ao município de Loulé apesar da capital ser muito mais distante do que Silves. Não acho nada de errado e, pessoalmente, acho muito bem que a freguesia de Alte faça parte de Loulé.
O que já não acho muito bem é que para muita gente da freguesia de Alte, localidades como Messines e Silves é como se não existissem. Por exemplo, muito concordaria que Messines é só para apanhar o comboio.

Creio que as câmaras são, em parte, responsáveis por isso. Para colaborarem mais nem sequer é necessário falarem mais entre si. Por exemplo, poderiam anunciar nos seus sites as iniciativas de câmaras vizinhas em localidades próximas das suas fronteiras. Por exemplo, para as pessoas de Alte é mais prático ir a Messines, Silves e Albufeira do que a qualquer acontecimento na outra ponta do município de Loulé.
Outra possibilidade é organizar acontecimentos (nomeadamente, com a colaborações do organizações da sociedade civil) que envolvam duas ou mais câmaras. A possibilidade talvez mais óbvia são acontecimentos desportivos procurando aproveitar a geografia como são os casos dos rios Arade (Portimão e Lagoa) e o Guadiana (Vila Real de Santo António e Ayamonte).

Puxando a brasa à minha sardinha (moro em Portimão parte do ano), vou ser mais concreto em relação ao rio Arade. Por exemplo, parece-me fazer sentido existirem anualmente provas de atletismo e ciclismo populares atravessando as duas pontes que ligam os dois municípios – a mais pequena para atletismo e a maior para ciclismo. Num ano começariam no município de Lagoa e noutro no município de Lisboa.
As hipóteses de colaboração entre as diferentes câmaras são muitas. Umas mais visíveis do que outras. Faz sentido, cada vez mais, que façam coisas em conjunto.

Ivo Dias de Sousa

*professor da Universidade Aberta – ivo.sous@uab.pt

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