Manter a Hora de Verão o ano inteiro? II

Recentemente escrevi no “Jornal do Algarve” um artigo de opinião onde defendia que a hora de verão se devia manter o ano inteiro. De certa forma, este artigo é a continuação do anterior.

Porquê? Partilhei no facebook a versão online do site do “Jornal do Algarve”. O artigo mereceu muitos mais comentários do que o costume. Pela amostra, a maioria das pessoas até parece concordar com a manutenção da hora de verão o ano todo. Porém, os que são a favor da hora de verão até são uma minoria bastante grande e bastante mais aguerrida dos que são a favor de acabar com a hora de inverno.

Toda a gente parece concordar que acabar com a hora de inferno levaria a que a grande maioria teria mais tempo de dia. Estão mais pessoas acordadas às cinco seis horas da tarde do que às sete oito da manhã. Eliminar a hora de verão tem diversas vantagens como poupança de energia – mais tempo de dia leva a que as lâmpadas sejam acesas menos tempo, por exemplo. Existem outras vantagens mas não é disso que o artigo trata – o artigo anterior tratou disso.

Nos comentários de quem defende a manutenção da hora de inferno chegou a ser sugerido que sou um insensível ao facto das crianças irem para a escola de noite se se hora de inferno fosse eliminada.

Confesso que não me julgo insensível. No entanto, aceito a possibilidade de ser tão insensível que não percebo quando sou pouco ou nada sensível.

Concordo que as crianças iram para a escola de noite é mau. Porém, também é mau a crianças voltarem ou estarem acordadas à tarde mais uma hora por causa da hora de inverno.

Todavia, assumo que não especialista nos efeitos negativos nas crianças da ida de noite para a escola. Talvez seja uma questão mesmo muito importante como defendem os contrários à eliminação da hora de inferno.

Se assim é, tenho duas propostas que julgo não irem contra a ida das crianças para a escola de dia. A primeira é reduzir o tempo da hora de inferno. Porque tem de ser seis meses? Não consigo achar nenhuma razão válida para a hora de inverno durar seis meses exceto o hábito e a lei. Se calhar, tendo em conta quando as crianças vão para a escola se calhar só é necessário a hora de inverno quatro ou cinco meses por ano.

Indo mais longe. Porque a mudança tem de acontecer sempre acrescentando uma hora ou retirando uma? Vivemos num ambiente digital onde a mudança de hora acontece, cada vez mais, sem necessitarmos de ajustar relógios. Por exemplo, os relógios da maioria dos telemóveis muda sem que os seus utilizadores tenha de fazer qualquer coisa.

Sendo assim, porque não reduzir a hora somente meia hora num momento. Mais tarde, outra meia hora. Depois, meia hora seria acrescentada. E, finalmente, seria reposta a hora de verão. Se calhar, do mesmo modo, até valeria ir mais longe, acrescentando algum tempo à hora do verão para termos ainda mais sol.

Do meu ponto de vista, sem nunca levar as crianças de noite para a escola, o objetivo deve ser ter o mais sol possível para a maioria das pessoas quer seja de inverno ou de verão.

Ivo Dias de Sousa

*professor da Universidade Aberta – ivo.sous@uab.pt

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