Meio mundo na entronização do Papa Francisco

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Papa Francisco recebe esta manhã anel do pescador e pálio. Missa na Praça de São Pedro assinala início do novo pontificado e será concelebrada pelos cardeais e patriarcas orientais presentes em Roma, bem como por superiores gerais dos franciscanos e dos jesuítas.

Hoje é feriado em Buenos Aires. Às 8h30 em Lisboa, 9h30 em Roma, teve início a cerimónia de entronização de Francisco, o primeiro Papa argentino e latino-americano da história, que esta terça-feira – antes da missa na Praça de São Pedro – vai receber o anel de pescador (obra do italiano Enrico Manfrini, em prata dourada, que traz gravada uma imagem de São Pedro com as chaves) e o pálio petrino (estola branca de lã com cruzes vermelhas, que representam as chagas de Cristo), igual ao de Bento VI.

A entronização do Papa Francisco- Jorge Mario Bergoglio, 76 anos – reúne “centenas de milhares de pessoas”, incluindo chefes de Estado, soberanos reinantes e chefes de Governo, além de príncipes reinantes e líderes de várias religiões.

A celebração em latim da missa que marca o início do novo pontificado – que não contará com a presença do antigo Papa Bento XVI – terá evangelho em grego e orações em russo, árabe e chinês, entre outras línguas. Quinhentos padres distribuirão a comunhão na Praça de São Pedro.

Depois da missa, o Papa regressará à basílica, para os habituais cumprimentos dos chefes de Estado e da Governo, e respetivas delegações.

Na sala de imprensa do Vaticano, centenas de jornalistas poderão acompanhar a par e passo toda a cerimónia de entronização a ser transmitida pela TV do Vaticano – que divulgará imagens internas da basílica.

132 delegações confirmadas

A cerimónia de entronização deverá contar com 150 delegações de vários países e organizações internacionais, incluindo 31 chefes de Estado, seis soberanos reinantes e onze chefes de Governo, além de príncipes reinantes.

Dessas delegações, 132 já ontem à tarde estavam em Roma, como, por exemplo as da Argentina, cuja Presidente Cristina Kirchner levou consigo 19 pessoas e ontem foi recebida em audiência pelo pontífice. Assim como a de Portugal (chefiada pelo Presidente Cavaco Silva e da qual faz parte o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas) e a do Brasil (a Presidente Dilma Rousseff terá hoje, depois da cerimónia, um breve encontro privado com o Papa, que fala português, sobre a sua presença na Jornada Mundial da Juventude a decorrer em julho, no Rio de Janeiro), além das delegações de Espanha, França, Alemanha, Bélgica, Mónaco, EUA, União Europeia e Chile. E, ainda, a do Zimbaubé, cujo polémico Presidente Robert Mugabe – acusado de crimes contra os Direitos Humanos, e sobre o qual pesam sanções dos EUA e da UE – chegou ontem a Roma.

Estão também confirmadas as presenças dos Presidentes Federico Franco, do Paraguai; Enrique Peña Nieto, do México; Sebastián Piñera, do Chile: Porfirio Lobo, de Honduras; Laura Cinchiça. da Costa Rica; e também Rafael Correa, do Equador.

Destacam-se ainda delegações de igrejas cristãs e de outras religiões, incluindo muçulmanos, budistas, sikhs, etc., que hoje serão recebidos em audiência específica pelo Papa.

Pela primeira vez desde que o cisma separou católicos e ortodóxicos em 1054, estará presente na cerimónia de entronização o patriarca ecuménico (Igreja Ortodoxa) de Constantinopla, Bartolomeu I.

Ontem, em conferência de imprensa, o Padre Federico Lombardi assegurou que “ninguém foi convidado” mas que todos que quiseram participar na entronização do Papa “são bem-vindos”.

“Dezenas de milhares” de pessoas na Praça de São Pedro

A entronização do Papa deverá reunir mais de 150 mil a 250 mil pessoas, de acordo com cálculos “mais prudentes” avançados ontem pelo porta-voz do Vaticano e diretor da sala de imprensa da Santa Sé. O padre Federico Lombardi prefere antes falar em “dezenas de milhares” do que aceitar a cifra de “um milhão”, apontadas ontem por um jornalista durante a conferência de imprensa para a apresentação dos pormenores da cerimónia.

O primeiro momento da celebração teve lugar sobre o túmulo de São Pedro, onde o Papa rezou em silêncio junto com dez patriarcas das Igrejas Orientais católicas, saindo em procissão acompanhados por dois diáconos com o anel e o pálio ali depositados essa noite.

A procissão até ao exterior vai decorrer ao som das Laudes Regiae (louvor ao rei, em honra a Cristo), na qual se invocam vários santos, em especial os que foram Papas.

Quem colocou o anel na mão esquerda de Francisco, antes da missa, foi D.Angelio Sodano, decano do Colégio Cardinalício, de acordo com um novo ritual aprovado por Bento XVI antes da renúncia.

Ainda durante a cerimónia, o Papa vai receber o pálio – insígnia litúrgica de “honra e jurisdição” usada pelos bispos de Roma desde o sécuilo IV -, que lhe vai ser imposto pelo cardeal prododiácono, D.Jean-Louis Tauran.

Na Praça de São Pedro, onde fiéis de todo o mundo têm dado “vivas” a Francisco, está tudo pronto para a entronização do Papa, que recusou a capa vermelha ornamentada com pele usada pelo seu antecessor Bento XVI nas cerimónias importantes, dizendo ao mestre de cerimónias – que lha ofereceu – que “o Carnaval acabou!”.

Maria Luiza Rolim (Rede Expresso)
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