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Milhares marcaram presença na Feira dos Enchidos

Milhares de visitantes passaram na 19.ª edição da Feira dos Enchidos Tradicionais da Serra de Monchique, que decorreu, nos passados dia 3 e 4, no heliporto municipal.

Inaugurada pelo secretário de Estado da Agricultura, Diogo de Albuquerque, e pelo presidente da Câmara de Monchique, Rui André, a feira voltou a mostrar a qualidade e vitalidade dos produtos tradicionais da serra, com destaque para os enchidos tradicionais de Monchique.

No certame, houve ainda espaço para a apresentação de outros produtos de caráter local e regional, como o mel, a aguardente de medronho, o pão, a doçaria regional e o artesanato.

Rui André afirmou na cerimónia de inauguração do evento que “a determinação, coragem e espírito empreendedor destes produtores, fazem deste concelho um exemplo em aproveitamento dos recursos e das tradições ancestrais, em favor de um desenvolvimento sustentado e da valorização do património serrano que devemos continuar a cultivar, pois ele é o grande fator de diferenciação que podemos apontar quando nos comparamos com as múltiplas ofertas turísticas desta região”.

O autarca disse ainda que Monchique está a atravessar uma fase de consolidação e afirmação de alguns produtos, como os enchidos, “que registando uma produção anual considerável, através das suas quatro unidades produtivas, constituem hoje empresas de sucesso e geradoras de emprego e riqueza para o concelho”.

O presidente da autarquia revelou ainda que, dentro de pouco tempo e uma vez concluído todo o processo burocrático, “teremos mais duas que se encontram em fase de licenciamento”.

Projetos ligados ao medronho

Por outro lado, Rui André destacou a valorização do medronho, manifestando que “o melhor medronho do mundo se produz aqui”. “Temos projetos inovadores e de valorização deste produto, como o Festival do Medronho, com um concurso e distinção de qualidade, a Casa-Museu do Medronho, o Guia das Aguardentes de Medronho e o Roteiro das Destilas, este último que será apresentado na próxima semana”, anunciou.

Atualmente, o concelho de Monchique conta com mais de 70 produtores licenciados, 40 marcas de medronho e 10 de melosa no mercado, para além de uma loja que tem sido um sucesso na promoção e venda de medronho e mel.

Rui André referiu, assim, que “Monchique é terra de produtos de qualidade”, aludindo ainda aos famosos pêros, à castanha e ao maracotão, entre outros produtos que “queremos ver valorizados através da criação de um Centro de Reprodução de Fruteiras Tradicionais de Monchique, que irá potenciar o aumento da produção e garantir de continuidade destas espécies”.

O autarca estabeleceu ainda como objetivo a realização de uma carta gastronómica de Monchique, no sentido de “dar corpo a séculos de tradição culinária e doçaria conventual”.

“Numa altura em que se fala tanto no regresso ao campo, à terra e à agricultura, também nós acreditamos que é possível e por isso estamos disponíveis para criar um Banco de Terras, potenciando uma interligação entre aqueles que detêm as terras férteis e que outrora foram ricas e produtivas e aqueles que, sendo jovens e amantes da terra, podem aí desenvolver uma atividade que pode fazer renascer um novo ciclo rural em Portugal… Monchique não tem mais tempo a perder!”, rematou o presidente da autarquia.

Em resposta, o secretário de Estado da Agricultura, Diogo Albuquerque, revelou que o défice comercial na agricultura é “superior a três mil milhões de euros”, pelo que, “falar em voltar a produzir e em oportunidades no setor da agricultura é fundamental”.

Nesse sentido, o governante disse que eventos como a Feira dos Enchidos de Monchique servem para demonstrar que “o mundo rural está vivo e que existem mesmo oportunidades na produção”.

“O Governo considera a agricultura fator decisivo de reestruturação económica, tornando-a diferenciadora e competitiva. A vossa feira é disso um exemplo”, concluiu o secretário de Estado da Agricultura.

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