Monchique paga a “fatura” das fraudes de Pedrógão

A Câmara de Monchique criou uma conta solidária logo após o incêndio que lavrou entre 3 e 10 de agosto, mas o apoio às vítimas ficou muito aquém do esperado

A Câmara de Monchique criou uma conta solidária logo após o incêndio que lavrou entre 3 e 10 de agosto, mas o apoio às vítimas ficou muito aquém do esperado

A conta solidária criada há seis meses para apoiar as vítimas do incêndio de Monchique só conseguiu angariar cerca de quatro mil euros, contra os 18 milhões de euros angariados pelos vários fundos de Pedrógão Grande. Depois das suspeitas de fraudes que recaíram sobre o incêndio de 2017, os autarcas e a população de Monchique dizem ao JORNAL DO ALGARVE que estão a sofrer na pele os efeitos dessas irregularidades. “Está a pagar o justo pelo pecador”, desabafa o presidente da câmara, Rui André, lamentando que a ajuda ainda não esteja a chegar às vítimas

Apenas quatro mil euros. É esta a quantia angariada até agora na conta solidária criada pelo município de Monchique, a 15 de agosto de 2018, para apoio às vítimas dos incêndios do último verão.

Só neste concelho, arderam cerca de 30 casas de primeira habitação e foram afetadas, no total, 74. E isto sem contar com as explorações agrícolas, os armazéns e os equipamentos que ficaram completamente destruídos, num total de 600 lesados (embora o atual número de processos seja apenas de 281).

Os autarcas e população de Monchique sentem que estão a pagar injustamente a fatura das irregularidades detetadas em Pedrógão

No entanto, depois das suspeitas de fraude na reconstrução das casas em Pedrógão Grande – onde os incêndios florestais mataram 66 pessoas em 2017 – a onda solidária dos portugueses já não se faz sentir da mesma maneira, mesmo depois dos apelos que chegaram de Monchique.

“Os 4.000 euros que angariámos refletem as dúvidas e as incertezas que as pessoas têm em doar dinheiro após o que aconteceu em Pedrógão. Hoje em dia, ninguém quer ser generoso e depois ouvir dizer na televisão que se aproveitaram de tragédias deste tipo para tirar vantagens pessoais”, lamenta o presidente da Câmara de Monchique.

Em declarações esta semana ao JORNAL DO ALGARVE, Rui André (PSD) salienta que esta realidade, a ser comprovada e devidamente julgada, é “preocupante” e já está a ter consequências humanas nas famílias afetadas pelos incêndios em Monchique.

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“As pessoas deixaram de exercer a sua solidariedade, deixaram de acreditar que a mesma serve as verdadeiras vítimas, ou seja, quem verdadeiramente precisa de ajuda”, lamenta.

Paga o justo pelo pecador”

Por tudo isto, o autarca salienta que Monchique está a pagar o preço das falcatruas de Pedrógão. “Está a pagar o justo pelo pecador”, sublinha Rui André…

(NOTÍCIA COMPLETA NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE – NAS BANCAS A PARTIR DE 7 DE FEVEREIRO)

Nuno Couto|Jornal do Algarve

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