Monchique reivindica matadouro para abater 100 animais por semana

Foi há já três anos que encerrou o matadouro regional do Algarve, situado no concelho de Loulé, não restando outra alternativa aos produtores da região senão abaterem os animais em Beja ou no Montijo. Em Monchique, onde são abatidos 100 porcos por semana, os produtores já falam mesmo em fechar as portas face ao aumento dos custos provocados pelas viagens até aos matadouros localizados bem longe da região. O presidente da autarquia, Rui André, está atento ao problema e garante ao JA que dentro de pouco tempo “Monchique vai ter uma casa de abate à dimensão local e regional”.

Em declarações ao JA, o presidente da Câmara de Monchique manifestou-se “bastante preocupado” com a situação que atravessam os seis produtores de enchidos do concelho.

Desde que a ASAE encerrou o matadouro regional do Algarve (julho de 2007), os produtores locais têm de matar os porcos nas regiões do Alentejo (Beja) ou Setúbal (Montijo), pois não há qualquer outra alternativa”, lamenta Rui André.

O autarca salienta que se trata de uma situação que provoca “imensos transtornos e prejuízos” aos produtores regionais, na medida em que “as deslocações em transportes apropriados encarecem muito o produto, sem esquecer que exigem mais funcionários e o pagamento do abate dos animais”.

Face a este cenário, que se prolonga há já três anos sem que seja apresentada uma alternativa viável aos produtores algarvios, o presidente da Câmara de Monchique refere que pretende criar uma “casa de abate” no município serrano.

Ainda estou a estudar o modelo de gestão, pois quero envolver também todos os produtores neste projeto. Mas, como não se trata de um investimento muito avultado e já tenho o estudo de viabilização, espero avançar ainda este ano com este equipamento”, adianta o autarca.

Rui André explica ao JA que a futura casa de abate de Monchique apenas terá uma linha de porcos. “Não vamos abater bovinos, embora também seja uma necessidade do Algarve. Isto porque, queremos dimensionar o projeto à nossa realidade”, frisa.

Seis produtores abatem 100 porcos por semana

Segundo o presidente da autarquia, ter um matadouro a funcionar todos os dias no concelho “não compensa” e explica porquê: “Cada um dos seis produtores de Monchique mata 20 porcos por semana, o que representa 100 animais por semana. No Montijo, são abatidos 240 porcos por hora!!! Por isso, o nosso matadouro terá de ser construído à dimensão local e regional para ser rentável.”

Desta forma, o Algarve poderá recuperar o seu matadouro, desta feita na serra de Monchique, depois de no final da década de 90 terem encerrado na região as várias infraestruturas municipais até aí existentes.

Na altura, foi defendido que só a construção de um único matadouro central permitiria a existência de um matadouro no Algarve, que respeitasse as modernas técnicas higieno-sanitárias.

Foi então construído o matadouro central, em Loulé, para satisfazer as carências regionais, mas este acabaria também por encerrar, quinze anos depois, por ordem da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Assim, desde julho de 2007 que os produtores e criadores de gado algarvios não têm outra solução que não seja efetuar longas deslocações a Beja ou ao Montijo, para abaterem os animais. E os custos inerentes a essas deslocações começam a pesar nos bolsos dos produtores, que temem o fim do negócio e de uma tradição secular em Monchique e em toda a região.

Nuno Couto/Jornal do Algarve

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