ALGARVE

Moradores da Culatra contra atribuição de “maternidade” natural de bivalves a privados

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A Associação de Moradores da Ilha da Culatra manifestou esta semana a sua “profunda indignação” com a prevista instalação de uma empresa privada numa área identificada como zona de banco natural de moluscos bivalves, considerando que provocará “graves desequilíbrios” na Ria Formosa.

“Não existe outra maternidade de ameijoa boa do que não a Ria Formosa e este banco é uma maternidade de amêijoa e berbigão, que nascem naturalmente”, disse ao JORNAL DO ALGARVE a presidente da associação, Sílvia Padinha.

Os moradores contestam a atribuição à empresa Bivalvia – Mariscos da Formosa, Lda de uma área a designar “Bivalves dos Areais”, com 100 mil metros quadrados (10 hectares), destinada à produção em regime de aquicultura de ostra portuguesa, ostra japonesa e amêijoa boa.

Segundo a associação, essa concessão impedirá os mariscadores que apanham as sementes dos bivalves de exercerem a sua atividade, com base na tradicional faca de mariscar, própria para aquele meio.

“Os mariscadores vendem para os viveiristas e os próprios viveiros também têm nos bancos naturais a maternidade para poderem fazer o repovoamento dos viveiros”, explicou Sílvia Padinha, observando que só na Ria Formosa está criada uma maternidade natural de amêijoa pequena e juvenil.

De acordo com a presidente da associação de moradores, o banco natural tem a capacidade de renovar a produção de sementes de bivalves “e nós humanos não podemos desequilibrar o ecossistema. Fazer aquicultura em banco natural ou em zonas de pradarias marinhas vai provocar graves desequilíbrios no ecossistema”.

“No futuro, se isto for por diante, as sementes ficarão só para aquela empresa e vai-se negar o direito ao trabalho dos mariscadores, que são os ‘sem terra’ da Ria Formosa”, sustentou a líder associativa.

“Este banco natural existe desde sempre na Ria Formosa e é a principal, se não mesmo, a única forma de subsistência dos muitos mariscadores/as que não são titulares de qualquer concessão viveirista”, sustentam entretanto os moradores da Culatra em comunicado enviado à redação do JA.

De acordo com o edital da autoridade marítima, de 19 de novembro, a atribuição daquela licença poderá ser contestada até dia 13 de dezembro (sexta-feira da próxima semana), o que a Associação de Moradores da Ilha da Culatra já fez.

“A Ria Formosa constitui um sistema lagunar de primordial importância para as populações que dela dependem e, em especial, para aquelas que na Ria habitam, que, talvez melhor que ninguém, tem consciência da necessidade da preservação dos recursos naturais e seu meio ambiente bem como da necessidade da sua preservação para um desenvolvimento sustentado”, sublinha a associação no comunicado.

João Prudêncio

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