Nove séculos de história votados ao abandono em Aljezur

Ao longo dos últimos anos, foram vários os alertas e pedidos para recuperar o Ribat da Arrifana, mas nenhuma intervenção foi feita. Hoje, a vegetação tomou conta do espaço
Ao longo dos últimos anos, foram vários os alertas e pedidos para recuperar o Ribat da Arrifana, mas nenhuma intervenção foi feita. Hoje, a vegetação tomou conta do espaço (imagem de 2018)

O Ribat da Arrifana, monumento nacional desde 2013, está ao abandono, sem vigilância e em risco. Trata-se de um convento-fortaleza, fundado no século XII, que está protegido pela mesma lei que protege o Mosteiro dos Jerónimos, mas nada está a ser feito para impedir a sua degradação. A denúncia é feita ao JORNAL DO ALGARVE por Vasco Marreiros, presidente da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur, que há dois anos anda revoltado e a alertar para o estado a que chegou este património classificado pelo Estado

Monumento nacional desde 2013, o Ribat da Arrifana, localizado sobre as falésias com mais de 70 metros de altura da Ponta da Atalaia, a cinco quilómetros da vila de Aljezur, é considerado pelos investigadores e historiadores um dos mais importantes casos de arqueologia ibérica e europeia.

Este sítio arqueológico foi identificado apenas no início deste século, em 2001. Trata-se de uma espécie de convento-fortaleza, criado há cerca de 900 anos por um príncipe islâmico (Ibn Qasi), que estabeleceu uma aliança com D. Afonso Henriques – a primeira entre cristãos e muçulmanos na Península Ibérica – e foi crucial no surgimento de Portugal.

O presidente da ADPHA, Vasco Marreiros, refere que este é “o único local, do ponto de vista da sua importância histórica e arqueológica, deste género em Portugal, e o segundo na Península Ibérica” (imagem de 2017)

Desde esta descoberta, a Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur (ADPHA) tem vindo a acompanhar várias campanhas arqueológicas neste local mítico, sendo que os investigadores já puseram a descoberto as ruínas de várias mesquitas e de diversas instalações, como locais de oração virados para Meca. Foram também encontrados numerosos objetos, como peças de cerâmica muçulmanas, placas de xisto com inscrições religiosas, rolos de chumbo, telhas decoradas, facas, frigideiras e taças, entre muitos outros artigos.

Porém, a última campanha realizou-se em 2014 e, desde então, o Ribat da Arrifana está ao abandono. A associação e a autarquia local não têm meios financeiros para continuarem a implementar estas ações no terreno. E, além disso, o sítio arqueológico está localizado em terrenos que pertencem a particulares e o processo de cedência ou expropriação ainda não está concluído.

As últimas escavações neste sítio arqueológico realizaram-se em 2014. Desde então, o local está ao abandono

Vegetação toma conta do espaço

Por isso, hoje, o Ribat da Arrifana está degradado e a vegetação tomou conta do espaço. Ao longo dos últimos anos, foram vários os alertas e pedidos para recuperar este local emblemático, mas nenhuma intervenção foi feita.

“Estamos a falar de um local que é monumento nacional e que encontra-se num elevado estado de degradação e abandono. E tudo fruto da ausência de medidas de proteção física e consolidação das estruturas arqueológicas”, denuncia ao JORNAL DO ALGARVE o presidente da ADPHA…

(NOTÍCIA COMPLETA NA ÚLTIMA EDIÇÃO DO JORNAL DO ALGARVE – NAS BANCAS A PARTIR DE 15 DE NOVEMBRO)

Nuno Couto|Jornal do Algarve

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